Franceses saem às ruas para protestar contra crescimento do antissemitismo
O mundo com frequência parece estar andando para trás. Até mesmo nos países ditos desenvolvidos. Pleno ano de 2019 e os franceses precisaram sair às ruas nesta terça-feira (19) para protestar contra o crescimento do antissemitismo.
As manifestações reuniram milhares de pessoas ao redor do país, inclusive na capital Paris, com a presença de lideranças políticas. A mobilização foi desencadeada depois que um cemitério judaico na região de Estrasburgo foi vandalizado na madrugada desta terça-feira (19).
Quase 100 lápides foram pichadas com suásticas e mensagens de ódio. Isso no país que abriga a maior comunidade judaica da Europa. O presidente Emmanuel Macron visitou o cemitério para demonstrar solidariedade a comunidade de cerca de 550 mil judeus que vivem no país.
O espantoso é que a onda de antissemitismo na França tem crescido rapidamente nos últimos meses. Só no ano passado foram registrados mais de 540 ataques deste tipo no país, crescimento de 74% em relação a 2017.
E esse comportamento carrega um estigma fortíssimo já que a história da França de Vichy até hoje traz marcas profundas na sociedade francesa. Durante a Segunda Guerra Mundial, sob ocupação nazista, 78 mil judeus franceses foram enviados para campos de extermínio.
As razões para o aumento dos ataques racistas na França não estão claras. Ele vem de antes do movimento dos coletes amarelos. Ainda assim, as autoridades do país reconhecem que a série de protestos, que também tem sido utilizada por extremistas de direita e de esquerda, colaborou para o agravamento do problema.
Como disse o primeiro-ministro Édouard Philippe, o antissemitismo está profundamente enraizado na sociedade francesa. Reconhecer o problema é sempre o primeiro passo para tentar combatê-lo.
Rapidamente em outro destaque na França, um homem foi morto pela polícia da cidade de Marselha depois de esfaquear ao menos duas pessoas no meio da rua na tarde de ontem. As autoridades da segunda maior cidade francesa anunciaram, no entanto, que o episódio não teve motivações políticas nem relacionadas a terrorismo.
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