Grécia vive campanha extremamente polarizada e sob pressão externa

  • Por Agencia EFE
  • 22/01/2015 18h51
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Ingrid Haack.

Atenas, 22 jan (EFE).- A Grécia vive uma campanha eleitoral extremamente polarizada, com receitas diametralmente opostas para combater a crise e está sob um grande pressão externa, que transformou a permanência na zona do euro no principal tema do debate político grego.

No próximo dia 25, os gregos terão de escolher entre duas opções: a troca do atual programa de resgates financeiros pela assinatura de um minirresgate ou o abandono completo do programa de austeridade, o que inclui o risco de os credores suspenderem as ajudas.

Essas são as opções, mas as promessas políticas soam diferentes. O primeiro-ministro Antonis Samaras, por exemplo, garantiu que este será um ano de crescimento, que a Grécia encerrará o resgate e que poderá inclusive reduzir os impostos.

O líder da oposição, Alexis Tsipras, prometeu um programa de crescimento econômico e de criação de empregos, ainda com a anulação de algumas das medidas tomadas pelo atual governo, como a redução do salário e da previdência mínima e a introdução de um novo imposto sobre bens imóveis.

Samaras evita dizer que a Grécia só receberá o que resta do resgate europeu se cumprir antes uma série de medidas pactuadas anteriormente com a troika, como a liberalização completa dos demitidos no setor privado e a eliminação da proteção contra os despejos de inquilinos de imóveis de primeira residência.

Ninguém também o ouviu dizer na campanha que o resgate será substituído por outro minirresgate, pois o crédito reforçado acertado com os membros europeus está igualmente vinculado ao cumprimento de uma série de requisitos.

Em meados de ano passado, o governo afirmou que a partir deste ano a Grécia poderia se financiar por conta própria nos mercados, uma promessa que deixou alguns países da UE de cabelo em pé e fez disparar o bônus da dívida no mercado secundário a índices semelhantes aos de agora, beirando os 10%, desta vez aparentemente pelo medo de uma vitória da coalizão esquerdista Syriza.

Por fim, Samaras voltou atrás e pediu uma prorrogação do resgate até o final de fevereiro.

Os cidadãos não querem saber mais nada sobre resgates e promessas de crescimento. A única coisa que viram é que a situação piorou desde que a crise explodiu, há mais de seis anos, e que a austeridade acabou com a resistência de muitas famílias.

Essa é a imagem que as pesquisas refletem, dando à Syriza uma vantagem sobre o partido conservador Nova Democracia de pelo menos três pontos.

O problema é que ninguém sabe quanto de seu programa poderá efetivamente ser aplicado, independentemente do que prometer, pois muito dependerá do quão dispostos a ceder estariam os aliados europeus.

Durante a campanha, o líder da Syriza garantiu que o Programa de Salônica, que inclui uma série de medidas que buscam estimular a reativação da economia e um plano de ajuda humanitária para os mais pobres, é “inegociável” e que o resto será submetido a “duras” negociações com os membros da União Europeia.

Mas muito do que um governo da Syriza poderá fazer para reativar a economia dependerá irremediavelmente de conseguir uma remissão de boa parte da dívida que está em mãos públicas.

Por enquanto, alguns países, como a Alemanha, dão a entender que as probabilidades de uma remissão da dívida propriamente dita são poucas, no máximo uma reestruturação com juros mais baixos e prazos mais extensos.

O número de analistas que acreditam ser necessária uma solução para a dívida grega é cada vez maior, inclusive em países como a Alemanha, considerando que a dívida grega não fez mais do que subir (atualmente é de cerca de 177% do PIB) nos últimos anos, apesar de todos os esforços de cortes da despesa pública.

As concessões que um eventual governo da Syriza deverá fazer para tirar parte da sombra de insegurança certamente frustrará muitos, particularmente aqueles que confiam que um governo de esquerda voltará atrás em todas as medidas de ajuste, sustentou o analista Petros Stangos, que já prevê novas manifestações e greves.

Como é pouco provável que a Syriza possa governar sozinha, embora seu objetivo declarado seja conseguir maioria absoluta, um governo de coalizão se apresenta como uma fórmula para se desvencilhar com brilho das irremediáveis críticas que virão.

Desta maneira, essa hipotética formação de governo poderia atribuir a manutenção das medidas de ajuste e as promessas eleitorais não cumpridas à necessidade de fazer concessões em um governo de coalizão. “A Syriza pode fazer o papel de policial bom, enquanto seu parceiro na coalização o de policial mau”, apontou Stangos. EFE

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