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Juros altos e tarifaço de Trump derrubam a confiança da indústria brasileira

Dificuldades nos cenários interno e externo desestimula investimentos e encarece o crédito, ampliando o pessimismo entre os empresários

Felipe Cerqueira

Trabalhador operando máquina industrial em uma oficina de metal
268 aleksandarlittlewolf/Freepik

A imposição de tarifas de importação por Donald Trump, juntamente com as altas taxas de juros no Brasil, tem abalado significativamente a confiança de 20 setores industriais no país. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de confiança do empresário industrial caiu de 50,2 para 45,6 pontos entre junho e agosto. Essa queda acentuada reflete uma transição de otimismo para pessimismo entre os empresários, que se veem impactados não apenas pelas tarifas sobre produtos brasileiros, mas também pelas incertezas econômicas — tanto internas quanto externas.

Entre os setores que ainda mantêm algum nível de confiança estão bebidas, extração de minerais não metálicos, formaquímicos e farmacêuticos, e materiais e equipamentos elétricos. No entanto, a maioria dos setores, totalizando 25, expressa uma falta de confiança para o futuro próximo. Especialistas destacam que, além das tarifas, a alta taxa de juros no Brasil desestimula investimentos e encarece o crédito, ampliando o pessimismo entre os empresários.

O economista Hugo Garbe explica que os juros elevados desmotivam novos investimentos, pois encarecem a captação de recursos para projetos como a construção de fábricas, que são fundamentais para a geração de emprego e renda. “É um componente que a gente pode elencar como um fator que acaba desmotivando o empresário a fazer mais investimentos, né? Você vai captar recursos para poder reconstruir uma fábrica, construir, enfim, gerar emprego e renda… E acaba desistindo no meio do caminho”, exemplificou.

A pesquisa da CNI também revelou que a confiança caiu em quase todas as regiões do país, com exceção do Centro-Oeste, que registrou uma leve alta, mas ainda insuficiente para superar os 50 pontos que indicam otimismo. Garbe ressaltou que o momento é de cautela, com empresários aguardando os próximos passos das negociações entre Brasil e Estados Unidos. Esse cenário de espera, segundo o economista, gera uma paralisação econômica, onde os empresários hesitam em investir, aguardando mudanças que possam trazer mais estabilidade e previsibilidade ao mercado.

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Enquanto isso, setores exportadores brasileiros buscam alternativas em mercados como Índia e Oceania, tentando reduzir a dependência das vendas para os Estados Unidos. Essa busca por novos mercados é uma tentativa de mitigar os impactos das políticas comerciais americanas, que têm gerado incertezas e desafios para a indústria brasileira. A expectativa é que, com o tempo, novas estratégias e parcerias possam ser desenvolvidas para fortalecer a posição do Brasil no comércio internacional, mesmo diante de um cenário global cada vez mais complexo e competitivo.

*Com informações de Valéria Luizetti

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