Kiev rejeita diálogo com insurgentes na mesa-redonda de união nacional
Kiev, 14 mai (EFE).- As autoridades ucranianas rejeitaram nesta quarta-feira qualquer tipo de diálogo com os insurgentes pró-russos que proclamaram nesta semana a independência das regiões de Donetsk e Lugansk.
“Estamos dispostos ao diálogo, estamos dispostos a escutar todos, mas para escutar não é necessário disparar, roubar e ocupar edifícios”, afirmou Alexander Turchinov, o presidente interino da Ucrânia.
Turchinov, que fez estas declarações durante uma mesa-redonda de união nacional realizada na Rada Suprema (parlamento), assegurou que o governo e o parlamento estão abertos a “introduzir mudanças no modelo de Estado”.
“Mas em relação com aqueles que com as armas nas mãos tentam declarar a guerra a seu próprio país e tentam ditar a vontade de outro país, tomaremos medidas de acordo com a Constituição. Terão que responder perante a lei”, disse.
O presidente acrescentou que não permitirão “que aterrorizem e chantageiem tanto as regiões de Donetsk e Lugansk como o resto do país”.
E denunciou que, sob a fachada das chamadas à Federalização, nas regiões rebeldes “tem lugar um rápido processo de criminalização”.
Por sua vez, o patriarca da Igreja Ortodoxa Ucraniana, Filaret, acusou a Rússia de agressão, após a consumada anexação da península ucraniana da Crimeia.
“A Rússia não se deu por satisfeita com a Crimeia. Sabemos que a agressão não parará na Bacia do Donets e continuará no sul”, disse.
Filaret ressaltou que “a Igreja apoia a via pacífica (…), mas o diálogo só é possível em condições de segurança”.
“Como entabular esse diálogo quando a Ucrânia está em perigo? Quando na Bacia do Donets operam armados não só os descontentes, mas também forças estrangeiras? Como dialogar quando no norte há tropas e tanques russos? Esse diálogo é só beneficente para o agressor. Nós rejeitamos esse diálogo”, destacou.
À mesa-redonda estão convidados os ex-presidentes ucranianos Leonid Kravchuk e Leonid Kuchma, os candidatos ao pleito presidencial de 25 maio, dirigentes de administrações regionais e locais, representantes do clero e empresários.
Segundo o governo de Kiev, as mesas-redondas de união nacional se emolduram no “roteiro” proposto pela Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que chama a um diálogo nacional que, segundo a Rússia, deveria incluir os representantes pró-russos do leste.
Um grupo de insurgentes bloqueou hoje uma unidade militar ucraniana em Donetsk quando se completa o prazo apresentado pelos rebeldes para que as forças governamentais abandonem o território dessa região do sudeste do país.
Esta é a primeira ocasião na qual os pró-russos bloqueiam uma unidade militar como ocorreu em março na Crimeia, onde as tropas ucranianas tiveram que ser recuadas por Kiev e a Rússia anexou a península.EFE
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