Líder opositor insiste em saída de Maduro após anúncio de seu julgamento
Nélida Fernández.
Caracas, 5 jun (EFE).- O dirigente da oposição venezuelana, Leopoldo López, recebeu a notícia de que será processado por seu suposto envolvimento nos incidentes violentos do dia 12 de fevereiro anunciando que vai continuar promovendo os pedidos de “saída” de Nicolás Maduro da Presidência do país.
López, preso desde 18 de fevereiro após ser apontado como um dos responsáveis por incitar os incidentes que se desenvolveram no final de uma manifestação contra o governo e que acabou com três mortos, dezenas de feridos e vandalismo contra bens e edifícios públicos, disse nesta quinta-feira que “o covarde Maduro e sua elite governante” têm motivos para temê-lo.
A advertência de López foi expressa através de uma carta lida por dirigentes de seu partido, o Vontade Popular (VP), na qual assegurou que o governo não poderá “contra o bravo povo da Venezuela”, que unido alcançará “a derrota da ditadura pelo caminho popular, democrático e constitucional”.
Após a leitura da carta, seus companheiros de partido anunciaram que será realizada uma concentração no próximo domingo, em Caracas, para colocar o país no caminho “da mudança de regime”, garantindo que se manterão nas ruas nas semanas seguintes.
O coordenador adjunto do VP, Freddy Guevara, reiterou que a exigência pela saída de Maduro “sempre foi um caminho democrático, pacífico e institucional” e que o seu partido continuará com o trabalho para conseguir “a transição rumo à democracia pela via pacífica, constitucional e democrática”.
Na carta, o dirigente também afirmou que a juíza que decidiu, na madrugada desta quinta-feira, levá-lo a julgamento e mantê-lo preso junto com outros quatro jovens “vendeu sua consciência ao poder corrupto” ao ratificar a medida.
A juíza Adriana López decidiu elevar a causa contra López para julgamento oral após três longos dias de uma audiência preliminar pelas acusações contra o político opositor e os estudantes Cristian Holdack, Marco Coello, Damián Martín e Ángel González.
A Promotoria detalhou que “Marco Coello e Christian Holdack foram acusados de serem os autores dos delitos de incitação pública de prática criminosa, incêndio, atos de vandalismo e formação de quadrilha, enquanto Ángel González e Damian Martín foram acusados de incitação de prática criminosa”.
“No caso de Coello e Holdack, o tribunal confirmou sua privação de liberdade e os réus permanecerão detidos na delegacia municipal de Chacao. Em relação a González e Martín, foi mantida a medida cautelar que consiste na apresentação periódica, a cada oito dias, diante da referida instância judicial”, acrescentou.
O também dirigente do VP David Smolansky garantiu que a juíza tomou a decisão “após ter recebido um telefonema que fez com que ela mudasse sua opinião”.
Smolansky criticou, além disso, o processo de diálogo, do qual o VP não faz parte, com a coligação de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) iniciado em abril pelo governo, conversas que já estão suspensas há quase um mês depois, por decisão do grupo opositor, que alegou não ter visto “gestos” do Executivo.
O secretário-executivo da MUD, Ramón Guillermo Aveledo, disse hoje para uma emissora local que o diálogo com o governo é uma janela que “deve estar sempre aberta” porque pode ser necessário, apesar de atualmente estar estagnado.
Anteriormente, Aveledo lamentou, através do Twitter, a “decisão injusta, tristemente previsível, contra Leopoldo, Coello, Holdack, Martín e González”.
A decisão também foi criticada na mesma rede social pelo líder da oposição e ex-candidato à Presidência Henrique Capriles. “Não são juízes, são emissários do governo com sua justiça podre”, disse.
“Que a injustiça nos dê mais forças para que continuemos nos unindo e lutando pelas mudanças que a nossa maltratada pátria merece”, acrescentou.
O governo venezuelano não se pronunciou sobre a decisão judicial até o momento. O Executivo dos Estados Unidos sim o fez, ao considerar que o julgamento de López “não ajuda” no processo de diálogo na Venezuela.
“Acreditamos que o diálogo é o caminho a se seguir e não as prisões políticas e as tentativas de criminalização da dissidência”, disse a porta-voz adjunta do Departamento de Estado, Marie Harf.
De acordo com a equipe jurídica de López, o julgamento pode ter início no fim de agosto. Os advogados afirmaram que este será um processo em que estarão “amarrados”, pois “todas as provas” apresentadas pela defesa foram recusadas.
Os incidentes do dia 12 de fevereiro foram o estopim para uma onda de protestos contra o governo que deixaram 42 mortos e mais de 800 feridos ao longo de três meses.
Por causa de uma das mortes daquele dia, oito membros das forças de segurança e do Exército estão detidos. EFE
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