Conselho de Trump para resolver conflitos mundiais não recebeu dinheiro, diz jornal

Presidente americano deve seguir no controle do fundo mesmo se deixar Casa Branca

  • Por AFP
  • 27/05/2026 11h30
  • BlueSky
Foto por SAUL LOEB / AFP O presidente dos EUA, Donald Trump (C), ladeado pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance (E) e pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (D), junta-se a líderes para uma foto de grupo durante a reunião inaugural do "Conselho da Paz" no Instituto da Paz dos EUA em Washington, DC, em 19 de fevereiro de 2026. O presidente Trump reuniu aliados na quinta-feira para inaugurar o "Conselho da Paz", sua nova instituição focada no progresso em Gaza, mas cujas ambições vão muito além. Cerca de duas dúzias de líderes mundiais ou outros altos funcionários vieram a Washington para a reunião - incluindo vários amigos de Trump com tendências autoritárias e praticamente nenhum dos democratas europeus que tradicionalmente apoiam iniciativas dos EUA. O presidente dos EUA, Donald Trump (C), ladeado pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance (E) e pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (D), junta-se a líderes para uma foto de grupo durante a reunião inaugural do "Conselho da Paz" no Instituto da Paz dos EUA em Washington, DC, em 19 de fevereiro de 2026.

O chamado Conselho da Paz, criado por Donald Trump para reconstruir Gaza e resolver conflitos, está mergulhado em uma série de problemas legais e sua conta bancária tem saldo zero, apesar das promessas bilionárias de financiamento, segundo o jornal Financial Times (FT).

Criado do zero em janeiro por Trump, que supostamente deverá dirigi-lo pessoalmente mesmo após deixar a Casa Branca, o Conselho não recebeu um único dólar, segundo o jornal, que cita quatro fontes próximas ao processo.

Em vez de utilizar um fundo administrado pelo Banco Mundial e aprovado pela ONU, o Conselho recebeu doações diretamente em uma conta do banco JPMorgan, declarou um porta-voz da iniciativa. De acordo com o FT, “não existe nenhum mecanismo independente de transparência”.

Trump concebeu de forma discricionária o mecanismo para reconstruir Gaza, onde Israel e o Hamas concluíram em outubro um cessar-fogo sob pressão dos Estados Unidos. Os países da UE se distanciaram do fórum, que concede amplo espaço a parceiros históricos dos Estados Unidos no Oriente Médio, a aliados ideológicos de Donald Trump e a pequenos países interessados em atrair sua atenção.

Dois presidentes sul-americanos, o argentino Javier Milei e o paraguaio Santiago Peña, apoiaram com entusiasmo a iniciativa de Trump. No entanto, o entusiasmo diminuiu quando veio à tona que um assento permanente no Conselho custava 1 bilhão de dólares (R$ 5,63 bilhões), a serem administrados exclusivamente por Trump.

O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, por exemplo, descartou que seu país pagasse os 1 bilhão de dólares (R$ 5,63 bilhões) exigidos. Até agora, há depósitos no valor de “zero dólar” na conta aberta especialmente no Banco Mundial, afirmou uma fonte ao FT.

O jornal informou que pequenos desembolsos na conta do JPMorgan permitiram pagar o escritório do “Alto Representante” do Conselho, Nikolai Mladenov. O Conselho da Paz “prestará contas sobre suas finanças” ao próprio conselho diretor, integrado por integrantes do governo Trump e outros assessores, “quando for considerado oportuno”, acrescentou a fonte da iniciativa.

Os Emirados Árabes Unidos destinaram 100 milhões de dólares (R$ 563 milhões) para formar uma nova força policial em Gaza, mas os recursos permanecem congelados.

Em abril, as Nações Unidas e a União Europeia estimaram em 71,4 bilhões de dólares (R$ 402 bilhões) as necessidades de reconstrução para os próximos dez anos em Gaza, segundo um estudo realizado em conjunto com o Banco Mundial.

Do que se trata?

A Casa Branca havia anunciado que, no âmbito do plano para pôr fim à guerra no território palestino da Faixa de Gaza, seria formado um “Conselho de Paz” presidido por Trump.

Mas o rascunho revela uma iniciativa e um mandato muito mais amplos do que apenas a questão de Gaza, delineando-se como um organismo substituto da ONU.

Essa iniciativa “não é um plano da ONU“, declarou um porta-voz das Nações Unidas em Genebra na terça-feira, reiterando que o plano de Trump foi “autorizado pelo Conselho de Segurança apenas para sua atuação em Gaza”.

“O Conselho de Paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restabelecer uma governança confiável e legítima e garantir uma paz duradoura nas regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos”, afirma o preâmbulo de seus estatutos, que critica os “enfoques e instituições que falharam com demasiada frequência”, em clara alusão à ONU.

  • BlueSky

Comentários

Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.