Covid-19: Médico que perdeu mãe e avó pela doença quer salvar vidas
O dia 15 de março seria o primeiro de muitos dias difíceis que viriam pela frente para o médico Douglas Sterzza Dias, de 28 anos.
Era um domingo quando a mãe, Rita de Cassia Sterzza, de 55 anos, começou a apresentar alguns sintomas gripais, como dor no corpo e dor de cabeça.
Ela não apresentava febre ou tosse e como a ameaça do coronavírus ainda estava distante, não se tinha ideia de como o quadro era sério.
Mas, na terça-feira, Rita sentiu dificuldade para respirar, um dos principais sintomas causados pela covid-19. No final da tarde, ela foi internada e encaminhada para a UTI para ser entubada.
O resultado positivo para o coronavírus saiu no dia seguinte, quando Douglas entrou em quarentena domiciliar por também apresentar os sintomas da doença.
Durante a internação da mãe, que durou 10 dias, a avó, Iracema Tuan Sterzza, de 85 anos, também teve que ir para o hospital, com insuficiência de oxigênio no sangue. A tomografia revelou que o pulmão estava comprometido, com sinais de infecção pelo coronavírus.
O médico conta que foram dias muito difíceis. Douglas, que faz residência em cirurgia vascular na Unifesp, em São Paulo, teve que interromper o próprio isolamento para enterrar, sozinho, a mãe. Ele também não pôde se despedir da avó.
Outros familiares também pegaram o vírus: um tio está em casa, com sintomas e se recuperando, e outro está na UTI, em estado grave.
Apesar de ter passado por momentos tão dolorosos, ele conta que não via a hora de poder voltar a exercer a profissão.
Aos poucos, o médico tenta voltar à rotina. Ele já está de volta ao trabalho e conta que muitos colegas estão com medo de pegar o vírus, já que faltam máscaras e luvas e outros equipamentos para profissionais da saúde.
Para Douglas, a situação causada pela pandemia tende ainda a piorar no Brasil. Para evitar baixas na equipe, o Hospital São Paulo, onde o Douglas trabalha, está fazendo uma campanha na internet para arrecadar recursos.
A meta é conseguir, em um primeiro momento, 800 mil reais para a construção de 50 leitos de UTI e para a compra de insumos, como máscaras, luvas, aventais e óculos de proteção.
*Com informações da repórter Letícia Santini
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