Mujica defende legalização e diz que maioria “nem sempre tem razão”

  • Por Agencia EFE
  • 13/05/2014 21h11

Washington, 13 mai (EFE).- O presidente do Uruguai, José Mujica, defendeu nesta terça-feira a lei que autoriza o cultivo e a venda de maconha apesar da maioria dos uruguaios a rejeitar, ao considerar que a maioria “nem sempre tem razão”.

Em uma conferência durante sua visita oficial a Washington, Mujica admitiu que em seu país há “resistência” à lei que entrou em vigor no início deste mês e por meio da qual o governo uruguaio procura gerar uma alternativa para o grande número de prisões geradas pela luta contra o narcotráfico.

“A maioria de nosso país não entende e o governo está disposto a seguir adiante, porque nem sempre a maioria tem razão, porque é fácil explorar o medo das pessoas”, disse o presidente do Uruguai em um fórum com estudantes da American University.

Segundo uma pesquisa divulgada no final de abril, 64% dos uruguaios se opõe à lei que autoriza o cultivo e a venda da maconha, mas 51% prefere aguardar para ver se a mudança será positiva antes de voltar atrás.

“Nós nos damos conta que se permanecemos de braços cruzados cada vez teremos mais gente presa e, quanto custa para a sociedade um preso? Que pagam a fortuna que gastamos?”, explicou Mujica.

O presidente explicou que a intenção do governo “é lutar para tirar do narcotráfico o mercado”, mas não foi criada para que as pessoas sejam “boêmias e fumem maconha”.

“Se caminhamos dois ou três anos poderemos tirar alguma conclusão”, disse o presidente ao frisar que o país está “ensaiando” a lei.

“Se isto não caminhar, teremos que dizer honestamente; agora, se caminha, também deverá se reconhecer”, acrescentou.

O líder afirmou que não acredita nos argumentos que a maconha é “melhor que o tabaco”, porque “não há nenhuma dependência que seja boa”.

Mujica, que se reuniu ontem com o presidente americano, Barack Obama, disse que “a maior patologia” da América do Sul “foi o populismo”, enquanto “no norte” do continente, “talvez a maior foi a força dos lobistas, que são cada vez maiores”. EFE

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