Argentina reformula governo após derrota governista nas primárias eleitorais

Crise política instaurada após fiasco nas urnas foi ainda mais acentuada quando vice-presidente Cristina Kirchner divulgou carta pública com críticas

  • Por Jovem Pan
  • 19/09/2021 07h58
EFE/ Esteban CollazoSaída de ministros teria sido coordenada por apoiadores de Cristina Kirchner

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciou ainda nesta sexta-feira, 17, uma reformulação de seu gabinete ministerial para tentar encerrar a crise que eclodiu dentro da coalizão governista após a derrota nas primárias do último domingo para as eleições legislativas de novembro. O novo chefe de gabinete será Juan Manzur, atual governador da província de Tucumán. Ele substitui Santiago Cafiero, que assumirá a pasta das Relações Exteriores no lugar de Felipe Solá, que por sua vez viajou nesta sexta-feira para o México, para participar da cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). Também haverá mudanças em outras quatro pastas, segundo um comunicado da Presidência argentina.

A tensão na coalizão governista aumentou após a vice-presidente, Cristina Kirchner, publicar em suas redes sociais nesta última quinta-feira uma carta na qual defendeu mudanças ministeriais e criticou a política econômica do governo. A carta da vice-presidente apressou as mudanças de gabinete após o ministro do Interior, Eduardo “Wado” de Pedro, e pelo menos quatro outros ministros, todos membros da ala kirchnerista do governo colocarem seus cargos à disposição do presidente Alberto Fernández durante a semana, a fim de forçar novas nomeações como após a derrota eleitoral. Por fim, De Pedro continua à frente de sua pasta, de acordo com fontes oficiais ouvidas pela EFE.

O novo ministro da Segurança, no lugar de Sabina Frederic, será Aníbal Fernández – que foi chefe de Gabinete e ministro de Justiça, Segurança e Direitos Humanos no governo de Cristina Kirchner (2007-2015). O chefe do Ministério de Pecuária, Agricultura e Pesca será Julián Domínguez – que já ocupou essa pasta durante a gestão de Cristina Kirchner -, substituindo Luis Basterra. Jaime Perzyck, que foi secretário de Políticas Universitárias do Ministério da Educação, será o novo titular dessa pasta, no lugar de Nicolás Trotta. Daniel Filmus, que foi secretário para Malvinas, Antártida e Atlântico Sul no Ministério das Relações Exteriores, será o novo chefe do Ministério de Ciência e Tecnologia, sucedendo Roberto Salvarezza.

O novo chefe da Secretaria de Comunicação e Imprensa será Juan Ross, que substitui um homem de confiança de Fernández, Juan Pablo Biondi, que renunciou mais cedo após receber duras críticas de Cristina Kirchner. Apesar de a política econômica do governo ter sido fortemente questionada pela vice-presidente, que a considerou a principal causa da derrota nas primárias, nenhuma mudança foi anunciada no Ministério da Economia. A origem da crise data do domingo passado, quando as listas de pré-candidatos a deputado e senador da principal coalizão da oposição, Juntos pela Mudança, receberam mais votos do que as da governista Frente de Todos na maioria das províncias durante as primárias em que os cidadãos deveriam escolher os candidatos para as eleições legislativas de 14 de novembro. A posse dos novos membros do gabinete de Alberto Fernández acontecerá na próxima segunda-feira, de acordo com fontes oficiais.

*Com informações da EFE