Biden não pretende retirar tarifas impostas à China imediatamente

O democrata, que deve se tornar presidente dos Estados Unidos em janeiro, disse que deve se alinhar com países parceiros na Ásia e na Europa antes de tomar qualquer atitude

  • Por Jovem Pan
  • 02/12/2020 15h59 - Atualizado em 02/12/2020 16h34
EFE/EPA/CJ GUNTHERBiden afirmou que pretende lutar contra práticas abusivas da China, como o roubo de propriedade intelectual

O democrata Joe Biden afirmou nesta quarta-feira, 2, que não pretende retirar as tarifas de 25% impostas às importações da China assim que assumir a presidência dos Estados Unidos em janeiro. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, o democrata declarou que não fará “movimentos imediatos” em relação à medida, que foi aplicada por Donald Trump, sem antes desenvolver estratégias de parceria com países asiáticos e europeus. “A melhor estratégia com a China é aquela em que nossos aliados – ou pelo menos aqueles que costumavam ser – estão na mesma página. Será uma prioridade nas primeiras semanas da minha presidência voltar à mesma página com nossos aliados”, comentou. Biden explicou ainda que o foco estará em “progredir contra as práticas abusivas da China”, como roubo de propriedade intelectual, dumping, subsídios ilegais e transferência de tecnologia por empresas que se instalam no gigante asiático.

Durante a entrevista concedida ao colunista do The New York Times, Thomas Friedman, o democrata afirmou ainda que pretende agir de forma diferente de Trump no que diz respeito ao Irã. Em 2018, o atual governo se retirou do pacto nuclear com a nação do Oriente Médio, que também tem quebrado o acordo enriquecido urânio em quantidades acima do permitido, além de fazer uma série de ameaças aos Estados Unidos. “Em conversas com nossos parceiros, vamos negociar novos acordos para fortalecer e estender ao longo do tempo as restrições nucleares ao Irã e seu programa de mísseis”, pontuou Biden.

No entanto, o democrata deixou claro que a sua prioridade, diante de todos essas demandas, serão as questões internas dos Estados Unidos. Ele explicou que não fará novos acordos comerciais com países estrangeiros até que se realizem investimentos significativos em sua própria nação. “Vou garantir que lutaremos como nunca antes para investir primeiro nos Estados Unidos”, afirmou. Biden mencionou, por exemplo, que considera vital aprovar um segundo pacote de estímulos, visto que “há mais de 10 milhões de pessoas que estão preocupadas com a forma como vão pagar sua hipoteca”, sem falar das muitas outras que não podem pagar o aluguel. O democrata ainda defendeu um aumento dos impostos sobre rendas mais altas para equilibrar as contas e evitar que algumas das maiores empresas do país continuem sem pagar impostos.

*Com informações da EFE