Brasil defende legalidade da presidência de Jeanine Añez e pede respeito ao Estado de Direito na Bolívia

Ex-presidente interina da Bolívia teve prisão preventiva decretada por crimes de sedição, terrorismo e conspiração após Justiça entender que ela conspirou para um golpe

  • Por Jovem Pan
  • 16/03/2021 13h55 - Atualizado em 16/03/2021 15h31
Reprodução/Twitter/Jeanine AñezJeanine Áñez, presidente interina da Bolívia, pretende convocar eleições 'o quanto antes'

O Governo Federal se pronunciou nesta terça-feira, 16, sobre a prisão da ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, acusada de crimes de sedição, terrorismo e conspiração por ter cometido um suposto golpe no país vizinho contra o então presidente Evo Morales em 2019. Em nota, o Itamaraty afirmou que acompanha o caso com preocupação e lembrou que o país apoiou a formação do governo de Añes, “a qual foi empossada em caráter provisório após a renúncia do então Presidente Evo Morales, motivada pela reação popular à tentativa de fraude eleitoral detectada pelas missões de observação da OEA e da UE”. Para o Brasil, a posse foi feita de forma constitucional e foi reconhecida pelas instituições do país latino, terminando com a realização de eleições livres e a passagem de poder pacífica para o novo presidente Luis Arce. “O governo brasileiro espera que o Estado de Direito seja plenamente respeitado na Bolívia no processo movido contra a ex-Presidente e outras autoridades”, pontuou o documento.

Também nesta terça-feira, 16, durante pronunciamento no Fórum para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul (Prosul), ao lado do chanceler Ernesto Araújo, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre o assunto. “A defesa e promoção da democracia é um dos princípios basilares do Prosul. Nesse sentido nos preocupam os acontecimentos em curso na Bolívia, nosso vizinho e país irmão, onde a ex-presidente Janine Añez e outras autoridades foram presas sob alegação de participação em golpe, o que nos parece totalmente descabido. Esperamos que a Bolívia mantenha em plena vigência o estado de direito e a convivência democrática”, afirmou. Jeanine foi condenada a quatro meses de prisão preventiva pela Justiça da Bolívia. Ela cumpre isolamento no Centro de Orientação Feminina de Obrajes e deve ser encaminhada para uma cela comum nas próximas semanas.