EUA registram 9º tiroteio em um mês; crime na Carolina do Norte deixou 3 mortos

Recorrência está chamando atenção para o recorde de vendas de armas no país; presidente Joe Biden quer mais verificações de antecedentes para compra

  • Por Jovem Pan
  • 03/04/2021 18h35
Reprodução Twitter Zach SolonOs disparos aconteceram em uma festa que estava sendo realizada dentro de uma residência particular em Wilmington

Três pessoas morreram e quatro ficaram feridas neste sábado, 3, durante um tiroteio na Carolina do Norte. Os disparos aconteceram em uma festa que estava sendo realizada dentro de uma residência particular, mas a Polícia de Wilmington ainda não identificou quem foi o autor do crime. O tiroteio se soma a outros oito que foram registrados nos Estados Unidos no último mês. Quatro pessoas, incluindo uma criança, foram mortas baleadas em um complexo empresarial na Califórnia nesta quarta-feira, 31. No dia 22, outro atirador matou dez adultos que estavam em um supermercado do Colorado. Outro crime alarmante foram os ataques seguidos a três casas de massagem na Geórgia no dia 16, quando oito pessoas perderam as suas vidas. Nesse intervalo de tempo, também já tinham acontecido outros cinco tiroteios em massa, ou seja, que resultou em quatro ou mais vítimas: outro na Califórnia (5 feridos) e um em Oregon (4 feridos) por motivos desconhecidos, um na Pensilvânia (1 morto e 5 feridos) durante uma festa ilegal e outros dois no Texas, sendo o primeiro em Houston (5 feridos) após uma briga em uma boate e o segundo em Dallas (1 morto e 7 feridos), por razões que ainda estão sendo investigadas.

A recorrência está chamando atenção para o recorde de vendas de armas no ano passado, durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com a empresa de consultoria Small Arms Analytics, quase 23 milhões de armas de fogo foram compradas em 2020, um aumento de 65% em comparação com 2019. O fenômeno pode estar relacionado ao assassinato de George Floyd, o início das restrições para conter a Covid-19 e a tensão da disputa presidencial, momentos que geraram agitação política e social nos Estados Unidos. O salto nas vendas de armas também continuou em janeiro desse ano, quando houve a invasão ao Capitólio e a posse de Joe Biden, cujo Partido Democrata geralmente é a favor de uma limitação da posse de armas. Só no primeiro mês de 2021, duas milhões de armas de fogo foram vendidas, um aumento de 75% em relação ao mesmo período de 2020, segundo a Federação Nacional do Tiro Esportivo.

O presidente dos Estados UnidosJoe Biden, manifestou o seu desejo de endurecer as leis de armamento e proibir a venda de semiautomáticas pela primeira vez desde que assumiu o cargo no dia 23. Em seu discurso, o chefe de governo disse que “esta não deve ser uma causa partidária” porque “salvará vidas americanas”. Dessa forma, o presidente defendeu que o Senado, de maioria republicana, deveria aceitar as reformas de lei que já foram aprovadas pela Câmara dos Deputados, majoritariamente democrata. Esses projetos a que ele se referiu especificamente ampliariam as verificações de antecedentes necessárias para a compra de armas de fogo. No entanto, Biden sugeriu ainda a proibição das semiautomáticas, popularmente chamadas de “armas de assalto”. A fabricação desses produtos foi tornada ilegal em 1994, em um movimento que teve a participação ativa do presidente quando ele ainda era senador do estado de Delaware. No entanto, a medida acabou expirando em 2004 e não foi renovada desde então.

O ex-presidente Barack Obama também se pronunciou sobre o assunto no dia 23. “Uma pandemia que ocorre uma vez em um século não pode ser a única coisa que retarda os tiroteios em massa nesse país. Não deveríamos ter que escolher entre um tipo de tragédia e outro. Já é hora daqueles com poder para lutar contra esta epidemia de violência o fazerem”, defendeu. Já o senador republicano Ted Cruz considerou os apelos dos membros do partido de Joe Biden por novas leis de segurança de armas de fogo um “teatro ridículo”. “O que acontece neste comitê depois de cada tiroteio em massa é que os democratas propõem tirar as armas dos cidadãos cumpridores da lei porque esse é o seu objetivo político, mas o que eles propõem não só não reduz o crime, como o torna pior”, opinou.