Governo americano corta serviços para filhos de migrantes em abrigos

  • Por Jovem Pan
  • 06/06/2019 08h20 - Atualizado em 06/06/2019 08h37
David Guzmán/EFEMedida pode ser uma violação de um acordo legal que exige que o governo forneça educação e atividades recreativas para crianças migrantes

Os Estados Unidos cortarão o apoio financeiro de serviços educacionais e de justiça a filhos de migrantes detidos no país. As autoridades alegam que o bloqueio nas verbas acontece devido ao aumento de crianças desacompanhadas que entram no território americano pela fronteira com o México.

O jornal americano Washington Post informou que o Escritório de Reassentamento de Refugiados, administrado pelo Departamento de Serviços Humanos e de Saúde (HHS, na sigla em inglês), iniciou a suspensão do custeio de diversas atividades consideradas “não diretamente necessárias para a proteção da vida e da segurança”, como práticas esportivas e aulas de inglês.

A medida, no entanto, pode ser uma violação de um acordo legal que exige que o governo forneça educação e atividades recreativas para crianças migrantes sob seus cuidados.

O governo afirma que há 13,2 mil crianças sob seus cuidados e que mais estão a caminho. Nesta quarta (5), a patrulha de fronteiras dos EUA informou que 11,5 mil crianças desacompanhadas chegaram ao país apenas em maio.

Após serem registradas, as crianças são transferidas para os cuidados do HHS, que contrata organizações não governamentais e empresas privadas para fornecer serviços nos abrigos.

“Temos uma crise humanitária na fronteira reforçada por um sistema falido de imigração que coloca uma enorme sobrecarga [sobre o HHS]”, disse uma porta-voz do órgão. “Recursos adicionais são urgentemente necessários para cumprir as necessidades humanitárias criadas por este fluxo”.

O departamento pediu em torno de 3 milhões de dólares em fundos de emergência para garantir os cuidados básicos às crianças.

Os fornecedores de serviços pagam adiantado as despesas – como salário de professores e equipamentos – para serem posteriormente reembolsados, o que não deverá mais acontecer a partir deste mês.

Especialistas alertam que o corte nos serviços poderá resultar na demissão de instrutores e na falta de supervisão das crianças.

Muitas delas migraram para fugir da violência e pobreza extrema em seus países de origem. Os serviços que as crianças recebem nos abrigos são considerados parte de sua recuperação enquanto aguardam a definição de sua situação.

O combate à imigração ilegal é uma das principais bandeiras do presidente americano, Donald Trump, que chegou a declarar emergência nacional em razão da situação na fronteira dos EUA com o México.

Recentemente, Trump ameaçou impor novas tarifas de importação sobre produtos mexicanos, caso o país vizinho não aja para impedir o fluxo migratório.

No ano passado, a estratégia de Washington de separar as crianças de seus familiares após atravessarem a fronteira, como modo de dissuadir os migrantes, gerou uma onda de repúdio e condenações em todo mundo e forçou o governo a reunir menores com seus familiares.

Agência Brasil