Líder do Irã admite pela primeira vez que protestos deixaram ‘milhares de mortos’ 

Ali Khamenei isentou as forças de segurança de qualquer culpa, classificou as vítimas como resultado de uma ‘conspiração americana’ e chamou Trump de ‘criminoso’ por oferecer apoio militar aos manifestantes

  • Por Jovem Pan
  • 18/01/2026 09h10
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Foto por CARLOS JASSO / AFP Manifestantes queimam imagens do aiatolá Ali Khamenei durante um protesto em solidariedade à revolta iraniana, organizado pelo Conselho Nacional da Resistência do Irã, em Whitehall, no centro de Londres, em 11 de janeiro de 2026, para protestar contra a repressão do regime iraniano ao acesso à internet e "reconhecer seu direito à autodefesa contra as forças do regime". Pelo menos 192 pessoas foram mortas em duas semanas de protestos contra o governo e a crise econômica no Irã, disse um grupo de direitos humanos no domingo, um aumento acentuado em relação ao número anterior de 51 mortos. Manifestantes queimam imagens do aiatolá Ali Khamenei durante um protesto em solidariedade à revolta iraniana, organizado pelo Conselho Nacional da Resistência do Irã, em Whitehall, no centro de Londres 

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou neste sábado (17) que “vários milhares” de pessoas morreram nos protestos, pelos quais responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O religioso afirmou que “elementos ignorantes e desinformados, sob a liderança de agentes mal-intencionados e treinados”, cometeram crimes que “provocaram a morte de vários milhares de pessoas”, em um encontro por ocasião do aniversário da escolha de Maomé como profeta do islã em Teerã, informou o site do político e a agência de notícias “Tasnim”.

Até agora, as autoridades iranianas não haviam fornecido números de mortos nos protestos, mas ONGs de oposição sediadas no exílio estimam em 3.428 as vítimas e em 19 mil os detidos.

Khamenei asseverou que foram cometidos “atos extremamente desumanos, como prender e queimar jovens vivos em mesquitas, e assassinar meninas e homens e mulheres indefesos, com armas fornecidas do exterior”.

O político disse ainda que, nos protestos, foram destruídas 250 mesquitas, mais de 250 centros educacionais e científicos, além de terem sido provocados danos a instalações do setor elétrico, bancos, complexos de saúde e lojas de produtos básicos.

Em seu discurso, Khamenei responsabilizou Trump pelas vítimas e pelos danos sofridos nos protestos que sacudiram a República Islâmica nas últimas semanas.

“Consideramos o presidente dos Estados Unidos culpado pelas vítimas, pelos danos e pelas acusações que dirigiu à nação iraniana”, disse.

A máxima autoridade política e religiosa do Irã afirmou que os protestos que abalaram o país “foram um complô americano e o objetivo americano é devorar o Irã”.

“A particularidade do recente complô é que o próprio presidente dos Estados Unidos interveio pessoalmente: falou, ameaçou e, encorajando os conspiradores, enviou-lhes a mensagem para que avançassem, que não tivessem medo e que contavam com nosso apoio militar”, afirmou.

O político afirmou que havia agentes selecionados pelos serviços de inteligência de EUA e Israel para provocar o país e influenciar outras pessoas.

Khamenei disse que “não levaremos o país à guerra, mas também não deixaremos impunes os criminosos internos e internacionais do complô americano” e destacou que “os Estados Unidos devem prestar contas”.

As mobilizações começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã fecharam seus negócios devido à queda do rial, mas logo se espalharam por todo o país com gritos de “Morte à República Islâmica” e “Morte a Khamenei”.

Os protestos foram se expandindo até que nos dias 8 e 9 de janeiro chegaram ao seu auge com uma explosão de manifestações em praticamente todo o Irã, que derivaram em atos de vandalismo contra órgãos públicos, bancos que foram destruídos e o incêndio de 53 mesquitas em todo o país, segundo a versão oficial do governo iraniano.

Teerã sustenta que os protestos econômicos se tornaram violentos pela infiltração de agentes externos apoiados por Israel e EUA para justificar uma intervenção militar de Washington, que não ocorreu até agora.

Trump ameaçou atacar o país se morressem mais pessoas quando a contagem de mortos era de sete e, mais tarde, afirmou que “há ajuda a caminho”, o que muitos interpretaram como um aviso de intervenção na República Islâmica.

*Com EFE

 

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