Reino Unido lança plano para combater a obesidade, um dos fatores de risco para Covid-19

Quase dois terços (63%) dos britânicos adultos estão acima de um peso considerado saudável

  • Por Jovem Pan
  • 27/07/2020 16h19 - Atualizado em 27/07/2020 16h20
Andy Rain/EFEO Reino Unido foi uma das nações mais afetadas pelo novo coronavírus

Limitar anúncios de fast-food, detalhar as calorias dos cardápios e andar de bicicleta por prescrição médica são algumas das medidas do plano do governo do Reino Unido contra a obesidade anunciado nesta segunda-feira (27) depois que um estudo apontou a obesidade como um agravante da Covid-19. “Sabemos que a obesidade aumenta o risco de doenças graves e de morte por coronavírus, por isso é fundamental que tomemos medidas para melhorar a saúde de nossa nação e proteger o NHS”, o sistema nacional de saúde britânico, declarou o ministro da Saúde, Matt Hancock, em comunicado. A campanha incentivará as pessoas a adotarem um estilo de vida mais saudável e a perder peso quando necessário, afirmou a instituição em um comunicado, lembrando que a obesidade é uma “bomba-relógio”.

As medidas anunciadas incluem a proibição de publicidade na televisão e na internet de comida não saudável antes das 21h00, “quando é mais provável que as crianças estejam expostas a ela”, assim como a obrigação de restaurantes e redes de delivery com mais de 250 funcionários de informarem o número de calorias em seus menus. Os supermercados terão de acabar com os descontos em comidas não saudáveis e não poderão colocar esses produtos “em locais importantes de seus estabelecimentos, como na frente das caixas registradoras ou na entrada”. “Quando você faz uma compra, é justo que tenha acesso às informações adequadas sobre a comida que come para ajudar as pessoas a tomarem as decisões corretas”, disse Hancock.

Prescrever andar de bicicleta

Também serão ampliados os serviços de saúde pública dedicados à perda de peso e os clínicos gerais poderão a “prescrever exercícios físicos” aos pacientes, como andar de bicicleta. O plano foi divulgado depois que um estudo revelou, no sábado, que pessoas obesas têm um risco adicional de 40% de morrer pelo coronavírus. O Reino Unido é o país mais afetado da Europa, com mais de 45 mil mortes. A decisão representa uma mudança na política do primeiro-ministro Boris Johnson, que já havia se declarado contra “impostos sobre nossos pecados” e uma abordagem “materna” do Estado. Johson foi internado em abril na UTI depois de contrair a Covid-19, e em várias ocasiões atribuiu a gravidade de seus sintomas ao seu peso, entre outras coisas.

“Passei muito tempo querendo perder peso, e como muitas pessoas luto com meu peso, subo e desço. Mas desde que me recuperei do coronavírus, venho melhorando continuamente minha forma física”, disse Johnson em um vídeo publicado no Twitter nesta segunda. Ele perdeu seis quilos desde que se infectou com a covid-19. “Quando estava na UTI, estava gordo demais”. O premiê de 56 anos tem fama de ser um “bon vivant” que já chegou a falar do prazer de desfrutar uma garrafa de vinho tinto caro e do consumo de chouriço e queijo tarde da noite, mas também defende ir pedalando ao trabalho e adotou as chamadas “bicicletas do Boris” para o público de Londres quando foi prefeito da capital.

O governo não deu detalhes sobre como financiará o plano. O jornal britânico The Guardian calcula o custo das medidas em 10 milhões de libras (US$ 12,8 milhões). No Reino Unido, quase dois terços (63%) dos adultos estão acima de um peso considerado saudável, com 36% em sobrepeso e 28% obesos, segundo dados do governo. Uma em cada três crianças entre 10 e 11 anos também tem sobrepeso ou obesidade.

*Com informações do Estadão Conteúdo