Libanês em Beirute conta que precisou fugir às pressas: ‘Nossa casa está destruída’

Vários amigos do fotógrafo e arquiteto Karim Nasser estão feridos, hospitalizados e desaparecidos devido à tragédia

  • Por Carolina Fortes
  • 04/08/2020 18h50 - Atualizado em 04/08/2020 19h45
EFE/EPA/WAEL HAMZEHExplosão deixou pelo menos 50 mortos e 2.750 feridos na capital

Morador de Beirute, no Líbano, o fotógrafo e arquiteto Karim Nasser precisou fugir às pressas para as montanhas nesta segunda-feira, 4, ao ver sua casa ser destruída por uma explosão que deixou pelo menos 50 mortos e 2.750 feridos na capital. “Nossa casa em Beirute está destruída, junto com a de todos os outros”, contou em entrevista exclusiva à Jovem Pan. Vários de seus amigos estão feridos, hospitalizados e desaparecidos devido à tragédia.

Ainda não se sabe ao certo o que causou a explosão. De acordo com a agência de notícias local “ANN”, um incêndio foi iniciado perto de um armazém de trigo e se propagou, o que provocou a detonação, que acabou sendo sentida em toda a cidade e arredores. Informações do canal LBC, por sua vez,  citam que um depósito de fogos de artifício teria inflamado a explosão. De acordo com a mídia regional, haveria produtos químicos dentro do local onde aconteceu a explosão. “Negligenciaram os produtos químicos que foram armazenados no porto por pelo menos seis anos. Esta situação poderia ter sido evitada. Estamos nos afogando na corrupção”, contou Nasser.

De acordo com ele, “a situação é um desastre e catástrofe completos e absolutos”. Além da pandemia da Covid-19, que já deixou 65 mortos e 5.062 infectados no país, o Líbano enfrentou neste ano uma onda de protestos, e passa por uma deflação econômica. Segundo o Banco Mundial, mais da metade da população libanesa vive hoje abaixo da linha da pobreza. “E agora somos atingidos com a pior bomba destrutiva que já atingiu Beirute”, completou Nasser.

O governador de BeiruteMarwan Abboud, chorou ao falar sobre a explosão. Em entrevista à Sky News, Abboud não conteve as lágrimas, disse que metade do município foi atingida e chegou a comparar o incidente aos atentados com bomba atômica às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial. “Parece o que aconteceu no Japão, em Hiroshima e Nagasaki. Isso é o que me lembra. Em toda a minha vida nunca vi uma destruição nesta escala”, disse o governador, aos prantos. “É uma catástrofe nacional. É um desastre para o Líbano. Não sabemos como vamos nos recuperar disto. Temos que nos manter fortes, temos que ser valentes”, acrescentou.