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Trump anuncia tarifa de 100% contra a China e reacende temor de guerra comercial global

Medida entra em vigor em 1º de novembro e amplia tensão entre as duas maiores economias do mundo; mercados globais reagem com forte queda

Felipe Cerqueira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminha em direção ao Salão Oval após desembarcar do helicóptero Marine One no gramado sul da Casa Branca
US President Donald J. Trump has semiannual physical Shawn Thew/EFE/EPA/Pool

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (10) que vai impor uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro, em uma nova escalada da disputa comercial com Pequim. Atualmente, as taxas aplicadas pelos EUA sobre importações da China chegam a 30%. Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que a decisão é uma resposta à “posição extraordinariamente agressiva” do governo chinês, que nesta semana anunciou novos controles de exportação sobre terras raras e tecnologias críticas.

Segundo o republicano, as medidas chinesas foram “planejadas há muitos anos” e representam “uma ameaça moral e econômica” às nações ocidentais. Além das tarifas, os Estados Unidos também vão aplicar restrições de exportação para todos os tipos de software considerado crítico na mesma data. O presidente indicou ainda que as sobretaxas poderão ser antecipadas, “dependendo das ações ou mudanças de postura da China”.

A iniciativa americana reacende o risco de uma nova guerra comercial em larga escala, semelhante à de início do ano, quando Washington e Pequim trocaram tarifas que chegaram a 145% e 125%, respectivamente. Segundo o Instituto Peterson de Economia Internacional, a tarifa média dos EUA sobre produtos chineses já está próxima de 58%, enquanto a da China sobre bens americanos gira em torno de 37%.

O anúncio ocorre após o governo chinês ampliar o controle sobre a exportação de terras raras, um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de semicondutores, baterias, equipamentos militares e eletrônicos. A medida passou a exigir licenças especiais para qualquer produto — mesmo fabricado fora da China — que utilize materiais de origem chinesa. Pequim alega que a decisão busca “salvaguardar a segurança nacional e os interesses estratégicos do país”.

Trump classificou o movimento como uma “grande hostilidade comercial que surgiu do nada” e afirmou que não vê mais motivo para se encontrar com o presidente Xi Jinping, como estava previsto para o fim do mês, nos bastidores da cúpula da APEC, na Coreia do Sul.

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Reação dos mercados

As declarações de Trump provocaram forte reação nos mercados globais. Ainda durante o pregão, as bolsas de Nova York registraram quedas acentuadas: o índice S&P 500 recuou 2,71%, o Dow Jones caiu 1,90% e o Nasdaq desvalorizou 3,56%, na maior perda percentual desde abril. No Brasil, o impacto também foi imediato. O dólar disparou 2,39%, encerrando o dia cotado a R$ 5,503, maior valor desde agosto. O Ibovespa caiu 0,72%, acompanhando a tendência global de aversão ao risco.

Analistas veem o novo embate entre as duas maiores economias do planeta como um teste de força geopolítica que pode afetar cadeias produtivas em setores estratégicos, especialmente os de tecnologia, energia e defesa “Os Estados Unidos têm posições monopolistas mais fortes e abrangentes que as da China. Eu simplesmente não as usei antes porque nunca houve motivo — até agora”, escreveu Trump.

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