Israel suspende abertura da passagem de Rafah; 23 morrem em novos ataques

Governo israelense impede a travessia de palestinos da Faixa de Gaza para o Egito, alegando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não forneceu ‘os detalhes de coordenação necessários neste momento’ 

  • Por Jovem Pan*
  • 04/02/2026 06h31 - Atualizado em 04/02/2026 15h28
  • BlueSky
Foto por BASHAR TALEB / AFP Uma mãe chora sobre o corpo de seu filho palestino de três anos, Iyad Ahmed Naeem Al-Rabai’a, que teria sido morto por um ataque aéreo israelense, durante seu funeral no Hospital Nasser em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, em 2 de fevereiro de 2026. Ataques aéreos israelenses mataram 32 pessoas, incluindo crianças, em Gaza em 31 de janeiro, de acordo com a agência de defesa civil do território palestino, já que os militares disseram ter atacado em resposta a uma violação do cessar-fogo pelo Hamas. Uma mãe chora sobre o corpo de seu filho palestino de três anos, Iyad Ahmed Naeem Al-Rabai’a,  morto por um ataque aéreo israelense em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. 

Israel impediu, por enquanto, a travessia de palestinos de Gaza para o Egito nesta quarta-feira (4) pela passagem de Rafah, alegando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não forneceu “os detalhes de coordenação necessários nesta fase”.

O porta-voz do Crescente Vermelho em Gaza, Raed Al Nims, informou à Agência EFE que foram notificados na manhã desta quarta sobre o cancelamento da passagem de doentes e feridos de Gaza, que já estavam se preparando para serem transportados para a fronteira.

Questionado pela EFE sobre o assunto, o órgão militar israelense encarregado dos assuntos civis nos territórios ocupados (COGAT) afirmou que a OMS, a quem atribui a responsabilidade de coordenar a chegada dos habitantes de Gaza a Rafah para sair rumo ao Egito, “não apresentou os detalhes de coordenação necessários por razões de procedimento”.

“Uma vez apresentados os detalhes de coordenação conforme o acordado, será facilitada a travessia para o Egito dos pacientes e seus acompanhantes através da passagem de Rafah”, acrescenta o COGAT.

A passagem de Rafah foi aberta na última segunda-feira pela primeira vez em quase dois anos — exceto por um breve período no início de 2025 — segundo o acordo de cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos, mas, até o momento, circularam por ela menos pessoas do que o inicialmente pactuado.

Pelo acordo, 200 pessoas deveriam cruzar a fronteira diariamente: 150 pessoas — 50 doentes e feridos com 100 acompanhantes — de Gaza para o Egito e outras 50 do Egito para Gaza.

No entanto, durante a segunda e a terça-feira, e na falta de dados oficiais visto que Israel não os forneceu, cruzaram 52 pessoas do Egito para Gaza e 21 pacientes — com um número indeterminado de acompanhantes — de Gaza para o Egito.

A demora na travessia de palestinos nesta quarta ocorre depois que Israel bombardeou o enclave palestino durante a noite e matou dez pessoas, em resposta ao que denunciou como um ataque de milicianos de Gaza contra seus soldados, que deixou um militar israelense ferido

Ambulâncias aguardam em fila no lado egípcio da passagem de fronteira de Rafah com a Faixa de Gaza palestina, no nordeste do Egito, no primeiro dia da evacuação de cerca de 50 palestinos, na passagem de Rafah, em 2 de fevereiro de 2026. A principal passagem de fronteira de Rafah, em Gaza, foi reaberta aos palestinos em 2 de fevereiro de 2026, disse um oficial de segurança israelense, mas a mídia estatal egípcia afirmou que apenas 50 pessoas seriam autorizadas a cruzar em cada direção nos primeiros dias. A retomada das operações ocorre depois que as forças israelenses assumiram o controle da porta de entrada para o Egito em maio de 2024, durante a guerra com o Hamas.

A principal passagem de fronteira de Rafah, em Gaza, foi reaberta aos palestinos em 2 de fevereiro de 2026. – Foto: AFP

Apesar do cessar-fogo, violência persiste em Gaza 

Pelo menos 20 pessoas morreram nesta quarta-feira (4) em ataques israelenses na Faixa de Gaza, informou a Defesa Civil do território palestino, uma ação que o Exército do Estado hebreu justificou ao denunciar disparos contra seus soldados, que deixaram um militar gravemente ferido.

A violência na Faixa de Gaza continua apesar do cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro, no âmbito do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Israel e o Hamas trocam acusações sobre violações da trégua.

Alguns corpos foram levados ao hospital Nasser, em Khan Yunis, após os ataques, que atingiram tendas e residências na localidade do sul de Gaza. Outras vítimas foram levadas para o hospital Al-Shifa após bombardeios na Cidade de Gaza, no norte do território, segundo a mesma fonte.

O Exército israelense afirmou que efetuou “ataques de precisão” depois que “terroristas abriram fogo” contra seus soldados, ataque que deixou um militar gravemente ferido.

No sábado, os bombardeios israelenses deixaram 32 mortos, segundo a Defesa Civil. O Exército israelense afirmou que executou os ataques em resposta a violações do cessar-fogo.

Israel reconhece “série de ataques” em Gaza

Israel reconheceu nesta quarta-feira ter empreendido uma campanha de bombardeios contra a Faixa de Gaza, que até agora deixou 20 mortos, em represália por um ataque perpetrado pelas milícias palestinas contra suas tropas, no qual um soldado ficou gravemente ferido, segundo informou à Agência EFE um oficial militar.

“O Exército de Israel lançou uma série de ataques em resposta à violação do acordo de cessar-fogo” por parte de supostos milicianos locais, disse o oficial em uma chamada telefônica.

Nas primeiras horas da manhã, o Exército emitiu um comunicado assegurando que sua represália pelo tiroteio consistia em uma série de ataques de “precisão” contra o bairro de Tuffah, na Cidade de Gaza (norte), embora, no momento da publicação, já tivessem sido registrados vários mortos em Khan Younis (sul) e na região de Zeitun, também na capital.

As forças armadas assinalaram então que o soldado ferido já havia sido evacuado para um hospital israelense e que o tiroteio contra as tropas ocorreu na zona sob controle israelense a leste da linha amarela, a fronteira imaginária para a qual o Exército recuou ao início do cessar-fogo.

Todos esses ataques ocorreram no lado oeste da linha amarela, fora do controle militar de Israel.

Na conversa com a EFE, o oficial israelense reconheceu que os ataques não ocorreram apenas contra uma zona da Cidade de Gaza, mas em todo o enclave palestino, em represália pelo soldado ferido.

No total, 23 pessoas morreram em Gaza desde a madrugada, as duas últimas na zona costeira de Al Mawasi (sudoeste), onde dezenas de milhares de palestinos continuam vivendo refugiados em tendas de campanha.

“As equipes de ambulância recuperaram os corpos de dois mártires após um ataque aéreo israelense direcionado contra uma tenda que abrigava pessoas deslocadas ao oeste do Colégio Al Ribat”, informou a respeito o serviço de emergências da Defesa Civil de Gaza.

Vítimas

O Crescente Vermelho Palestino destacou que um dos falecidos era um de seus paramédicos, identificado como Hussein Al Sumairi.

Al Sumairi morreu após sofrer o impacto de um segundo míssil na área em que trabalhava transportando feridos resultantes dos bombardeios anteriores.

Com ele e a outra vítima mortal, cuja identidade ainda não foi divulgada, sobe para seis o número de mortos em Khan Younis e suas imediações (sul).

A maioria das vítimas fatais concentra-se na Cidade de Gaza, com 11 mortos em Tuffah (o bairro contra o qual o Exército inicialmente lançou os ataques “de precisão”) e outros três na zona de Zeitun.

Entre os mortos há cinco menores de idade. Em Khan Younis, perdeu a vida o menino Farid Suleiman Abu Sitta, de 12 anos; enquanto na capital morreram o adolescente Bilal Haboush, de 16; a pequena Rital Haboush, de 12; e o bebê Saqr Badr Al Hatto, de apenas cinco meses. Uma fonte do Hospital al-Aqsa confirmou à Agência EFE há também uma menina de 9 anos entre as vítimas, além de vários feridos, o que pode aumentar o número de mortos nas próximas horas.

Mais de 530 palestinos morreram em ataques israelenses na Faixa de Gaza desde que o acordo de cessar-fogo entrou em vigor, em outubro de 2025. No total, a cifra desde o início da ofensiva, em outubro de 2023, supera os 71.800 mortos.

*Com EFE e AFP

 

  • BlueSky

Comentários

Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.