Vírus que matou três em navio tem origem na América do Sul

Segundo publicação do presidente da OMS no X, a cepa do vírus que infectou as pessoas é a Andes

  • Por Jovem Pan*
  • 06/05/2026 15h55 - Atualizado em 06/05/2026 15h57
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Divulgação CDC: Cynthia Goldsmith e Luanne Elliott; e AFP Três mortes por hantavírus em cruzeiro foram confirmadas Foram registradas três mortes relacionadas a um surto da infecção no cruzeiro pelo Atlântico

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quarta-feira (6) que um dos passageiros do MV Hundius teve confirmada a infecção por hantavírus, na Suíça, segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, presidente da OMS.

Segundo a publicação nas redes sociais, a cepa do vírus que infectou as pessoas é a Andes, o tipo que se encontra na América do Sul. Até esta quarta, foram confirmadas 3 infecções pelo vírus dos 8 casos.

Foram registradas três mortes relacionadas a um surto da infecção no cruzeiro pelo Atlântico. Os casos ocorreram no navio que viajava de Ushuaia, na Argentina, para Cabo Verde.

A transmissão do vírus acontece com o contato com urina, fezes e/ou saliva de roedores infectados, segundo a OMS. A doença não costuma passar de pessoa para pessoa, mas esse tipo de transmissão já foi registrado com a cepa dos Andes.

O que é o hantavírus?

De acordo com o Ministério da Saúde, a hantavirose é uma zoonose viral aguda que, no Brasil, se manifesta principalmente na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), um quadro grave que pode comprometer o sistema respiratório e cardiovascular.

O vírus pertence à família Hantaviridae e tem como reservatórios naturais roedores silvestres, que eliminam o agente infeccioso pela urina, fezes e saliva sem apresentar sintomas ao longo da vida.

A transmissão para humanos ocorre, na maioria dos casos, pela inalação de aerossóis contaminados a partir das excretas desses animais. Também pode acontecer por contato direto com mucosas — como olhos, boca e nariz —, por ferimentos na pele ou mordidas de roedores. Embora rara, a transmissão entre pessoas já foi registrada em países como Argentina e Chile, associada a um tipo específico do vírus.

Sintomas

Os sintomas da hantavirose podem variar de um quadro inicial inespecífico, com febre, dores no corpo e mal-estar, até formas mais graves, com comprometimento pulmonar e cardíaco.

Nos casos severos, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), exigindo atendimento médico imediato. O período de incubação varia de uma a cinco semanas, podendo chegar a até 60 dias.

Tratamento

Ainda segundo o Ministério da Saúde, não existe tratamento específico para a infecção por hantavírus. O manejo dos pacientes é feito com medidas de suporte, de acordo com a gravidade de cada caso, geralmente em ambiente hospitalar.

Por se tratar de uma doença de evolução rápida e potencialmente fatal, a hantavirose é de notificação compulsória imediata, devendo ser comunicada às autoridades de saúde em até 24 horas.

A pasta também destaca a importância da prevenção, especialmente para profissionais mais expostos, como trabalhadores rurais e equipes de saúde.

O uso de equipamentos de proteção individual, como máscaras PFF3, luvas, aventais e óculos de proteção, é recomendado em situações de risco, além de medidas que evitem o contato com ambientes contaminados por roedores.

*Com informações da AFP

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