Obama reconhece que serviços de inteligência subestimaram o Estado Islâmico
Washington, 28 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reconheceu que os serviços de inteligência subestimaram a ascensão do Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria em uma entrevista ao programa “60 Minutos” da “CBS”, que será divulgada neste domingo.
“Nosso chefe da comunidade de inteligência, Jim Clapper, reconheceu que subestimaram o que estava se passando na Síria”, revela Obama, segundo trechos da entrevista mostrados antecipadamente pela emissora.
Obama disse que o grupo radical – que declarou um califado em junho nos territórios do Iraque e da Síria – se manteve escondido durante a última década enquanto as tropas americanas lutavam contra a Al Qaeda no Iraque, mas a instabilidade causada pela guerra civil na Síria deu a oportunidade para o EI prosperar.
“Nos últimos dois anos, durante o caos da guerra civil da Síria, o EI foi capaz de se reconstituir e aproveitar do caos”, afirmou.
O presidente americano disse que, após se reagrupar, o EI recrutou combatentes estrangeiros da Europa, passando também por Estados Unidos, Austrália e outras partes do mundo muçulmano, “se transformando no epicentro dos jihadistas do mundo”.
Obama revelou que o grupo teve o apoio de uma campanha em meios de imprensa “muito inteligente” e contam com alguns militares que fizeram parte do exército de Saddam Hussein. Eles fornecem “capacidade militar tradicional” ao EI.
“Por isso é tão importante para nós reconhecer que parte da solução vai ser militar”, declarou Obama, que também indicou a necessidade de reduzir o espaço de ação dos jihadistas, sua capacidade armamentista e de abastecimento, além de cortar seu financiamento.
No entanto, o presidente americano destacou que para conseguir uma paz duradoura todo o esforço deve vir acompanhado de uma solução política.
“Temos que chegar a soluções políticas no Iraque e na Síria, em particular, mas também no Oriente Médio em geral”, acrescentou.
Os Estados Unidos iniciaram em agosto uma campanha de ataques aéreos contra alvos do EI no Iraque. A ofensiva se estendeu recentemente à Síria, onde os americanos também treinam a oposição moderada para combater o grupo jihadista. EFE
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