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Os donos da fábrica de dinamite estão pedindo regulação

Os seis CEOs mais poderosos da inteligência artificial declaram, em público e com dinheiro na mesa, que a superinteligência chegou. E pedem que alguém construa a cerca.

Gustavo Ribeiro

Os donos da fábrica de dinamite estão pedindo regulação
Os donos da fábrica de dinamite Divulgação

Quando o dono da fábrica de dinamite pede que alguém regule a dinamite, alguma coisa mudou.

Em 2025 e 2026, seis das pessoas mais poderosas do setor de tecnologia no planeta declararam publicamente que a superinteligência não é mais uma hipótese distante. É um prazo. E o prazo é curto.

Sam Altman, CEO da OpenAI, em junho de 2025: “Estamos além do horizonte de eventos. A decolagem começou.” Altman declarou que até o final de 2028, a capacidade intelectual concentrada em data centers pode superar a soma de todos os cérebros humanos vivos. A OpenAI fechou aproximadamente um trilhão de dólares em acordos de infraestrutura para tornar isso realidade.

Dario Amodei, CEO da Anthropic — empresa que construiu o Claude, a IA que eu uso para codificar 99% da operação da Tributo Devido —, previu “um país de gênios dentro de um data center” entre 2026 e 2027. Amodei afirmou que 90% do código seria escrito por IA até meados de 2025 e “essencialmente todo” até março de 2026. Na minha empresa, isso já é realidade há mais de um ano.

Demis Hassabis, CEO do DeepMind, divisão de IA do Google, declarou em dezembro de 2025 que a superinteligência está “a poucos anos de distância”. E comparou o impacto: “10 vezes a Revolução Industrial a 10 vezes a velocidade.” A Revolução Industrial levou décadas e transformou tudo. Hassabis projeta algo dez vezes maior em um décimo do tempo.

Jensen Huang, CEO da NVIDIA — empresa que fabrica os chips que alimentam o ecossistema inteiro de IA — disse em março de 2026: “Acho que já alcançamos a AGI.” Sem ressalvas.

Mark Zuckerberg declarou que “desenvolver a superinteligência agora está ao alcance”. A Meta reservou entre 115 e 135 bilhões de dólares em IA apenas em 2026. Elon Musk prometeu AGI pela xAI até o final de 2026, com financiamento de aproximadamente 30 bilhões de dólares por ano.

A dissidência também é reveladora

Nem todos os construtores concordam com o prazo. E a dissidência importa porque revela algo ainda mais perturbador do que o consenso.

Ilya Sutskever, cofundador da OpenAI e cientista por trás de praticamente toda a pesquisa que fez o ChatGPT funcionar, saiu da empresa e fundou a Safe Superintelligence Inc. Levantou 2 bilhões de dólares com avaliação de 32 bilhões. A missão declarada: construir superinteligência segura. Nada mais. Sutskever recusou uma oferta pessoal de Zuckerberg. E disse: “A era do escalonamento está acabando.”

Yann LeCun, cientista-chefe de IA da Meta, declarou em público: “Não existe absolutamente nenhuma possibilidade de que os modelos de linguagem autorregressivos atinjam inteligência humana.” Fundou a AMI Labs e levantou 1,03 bilhão de dólares para construir uma abordagem alternativa. Satya Nadella, CEO da Microsoft, alertou que “declarar marcos de AGI por conta própria é benchmark hacking sem sentido” e comparou o momento atual à bolha das pontocom. A Microsoft, no entanto, investiu quase 100 bilhões de dólares em infraestrutura de IA só em 2026.

Perceba o padrão: os céticos não dizem que a superinteligência não vem. Dizem que o caminho atual não é o certo. E colocam bilhões de dólares na alternativa que acreditam funcionar.

Quando otimistas e céticos concordam que algo enorme está chegando e discordam apenas sobre prazo e método, não há divergência. Há convergência com ruído. E ruído não diminui impacto.

No próximo texto, mostro por que a OpenAI — a empresa que mais ganha com a inteligência artificial — publicou em abril de 2026 um documento pedindo ao governo que taxe robôs, reduza a semana de trabalho para 32 horas e crie um fundo de riqueza pública. A raposa pediu a cerca. Não por bondade.

Referências: Sam Altman, declarações públicas e blog posts OpenAI (2025-2026); Dario Amodei, “Machines of Loving Grace” (2024) e entrevistas Anthropic (2025-2026); Demis Hassabis, entrevista Financial Times (dezembro de 2025); Jensen Huang, keynote NVIDIA GTC (março de 2026); Mark Zuckerberg, earnings calls Meta; Elon Musk, declarações xAI; Ilya Sutskever, fundação da SSI; Yann LeCun, fundação AMI Labs; Satya Nadella, entrevistas Microsoft.