Polarização política afunda Líbia em conflito interno, segundo AI
Londres, 24 fev (EFE).- A polarização política afogou a Líbia em 2014 por conta de um sangrento conflito interno entre diferentes milícias e grupos armados, com milhares de civis mortos e possíveis crimes de guerra, enquanto o país ficava literalmente dividido entre o leste e o oeste, com dois governos e dois Parlamentos.
Em seu relatório anual sobre as liberdades no mundo divulgado hoje, a Anistia Internacional (AI) destaca a brutalidade de todas as partes, que mataram e feriram milhares de civis e destruíram hospitais, casas, mesquitas e aeroportos em bombardeios indiscriminados em áreas residenciais de Benghazi, Trípoli, Warshafana, Zawiyah, as montanhas de Nafusa e outros lugares.
As forças do Amanhecer da Líbia, das Brigadas de Zintan e das milícias de Warshafana sequestraram civis por conta de sua origem ou sua filiação política, torturaram detidos e, em alguns casos, executaram sumariamente pessoas capturadas em combate.
Assim como as forças islamitas filiadas ao Conselho Consultivo de Revolucionários de Benghazi, que também sequestraram civis e executaram sumariamente dezenas de soldados capturados.
Por sua vez, as forças da operação “Dignidade”, comandadas pelo general reformado Jalifa Haftar e com o apoio do governo provisório com sede em Tobruk, bombardearam áreas residenciais, torturam civis e combatentes sob custódia e realizaram execuções sumárias.
Os homicídios políticos, com impunidade, eram frequentes: foram assassinados centenas de agentes das forças de segurança, líderes religiosos, funcionários, membros do Judiciário, jornalistas e defensores dos direitos humanos.
A advogada e ativista Salwa Bughaighis morreu em junho, atingida por disparos em sua casa após acusar em entrevista grupos armados de solapar as eleições parlamentares.
Devido à insegurança, a Missão de Apoio da ONU na Líbia (UNSMIL) – cujo mandato tinha sido renovado em março pelo Conselho de Segurança da ONU -, as representações diplomáticas estrangeiras e as organizações internacionais suspenderam suas operações em Trípoli e evacuaram seu pessoal.
Grupos armados islamitas tomaram o controle de Derna, cidade do leste do país, onde aplicaram uma interpretação estrita da sharia (lei islâmica) e cometeram graves abusos contra os direitos humanos.
Em outubro, um grupo armado dessa cidade, o Conselho Consultivo da Juventude Islâmica, declarou lealdade ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque.
A AI também comenta que o início do julgamento de 37 processos da ditadura de Muammar Kadafi gerou preocupação pela falta de garantias. Um de seus filhos e principal acusado, Saif Al Islam, falou por meio de videoconferência, pois permanecia sob custódia das milícias em Zintan, o que colocou em dúvida a autoridade do tribunal sobre ele. EFE
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