André Mendonça é o novo relator do caso Master no STF

Ministro foi sorteado para assumir o inquérito depois do ministro Dias Toffoli deixar o processo

  • Por Júlia Mano
  • 12/02/2026 22h09 - Atualizado em 12/02/2026 22h26
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Carlos Moura/SCO/STF O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado nesta quinta-feira (12) para assumir a relatoria em ação sobre o Banco Master. Mais cedo, o magistrado Dias Toffoli deixou o processo depois de reunião com os colegas da Corte.

Logo depois da sessão desta quinta, os ministros se reuniram e conversaram a portas fechadas. O encontro terminou por volta das 20h30 e o anúncio foi feito na sequência. A Jovem Pan apurou que Toffoli argumentou aos colegas que não via motivos para deixar a relatoria do caso, mas se viu isolado e acabou cedendo. A avaliação dos integrantes da Corte é de que a atuação do magistrado no processo do Banco Master causou um desgaste desnecessário ao Supremo.

A reunião dos ministros foi convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para tratar sobre relatório da Polícia Federal (PF) enviada à Corte sobre a perícia feita no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. No documento, a corporação informou ter encontrado menções a Toffoli e pediu a arguição de suspeição do ministro. Ou seja, que ele fosse declarado “suspeito” para atuar no processo.

Após a reunião, por meio de nota, os 10 ministros do STF declararam que as acusações não eram “caso de cabimento para a arguição de suspeição” e reconheceram a validade dos atos praticados por Toffoli na relatoria.

Pagamentos à empresa de Toffoli

Segundo o relatório da PF, Vorcaro e o seu cunhado Fabiano Zettel trocaram mensagens em que discutiam pagamentos à Maridt Participações. Toffoli e seus dois irmãos são sócios da empresa.

Nas mensagens, tanto Vorcaro, quanto Zettel citam nominalmente o sobrenome Toffoli. Os pagamentos seriam referentes à compra do Tayaya Resort, no qual a Maridt fazia parte do quadro societário. Os detalhes do relatório foram publicados pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmados pela Jovem Pan.

Nesta quinta-feira (12), o gabinete de Toffoli emitiu uma nova nota sobre o vínculo do ministro com a Maridt Participações e supostas ligações com Vorcaro. No comunicado, o magistrado negou ter “qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com o banqueiro. Ele também disse que “jamais recebeu qualquer valor” do banqueiro ou de Zettel.

Sobre a Maridt Participações, Toffoli declarou ser uma “empresa familiar constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado”. Sustentado na Lei Orgânica da Magistratura, o ministro disse que integra o quadro de sócios da companhia, mas a administração é feita pelos seus familiares.

O magistrado ainda relatou que a empresa integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. Em nota, Toffoli afirmou que essa participação foi encerrada por meio de “duas operações sucessivas, sendo a primeira, a venda de cotas do Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021” e a segunda, ao PHD Holding, na data do fim do vínculo com o resort.

“A ação referente à compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi distribuída ao ministro Dias Toffoli em 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”, comunicou o gabinete.

Entenda o caso do Banco Master

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.

Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição financeira passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.

Em 17 de janeiro, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.

 

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