Bolsonaro confirma compra da vacina da Pfizer: ‘Mês que vem vão chegar alguns milhões de doses’

Governo federal pretende adquirir 138 milhões de doses dos imunizantes da Pfizer e da Janssen; em agenda no interior de Goiás, presidente voltou a criticar a adoção de medidas de isolamento social

  • Por Jovem Pan
  • 04/03/2021 14h15
EFE/ Joédson Alves/ArchivoBolsonaro disse que aquisição só foi possível após aprovação de projeto que autoriza União a assumir responsabilidades por eventuais efeitos colaterais

O presidente Jair Bolsonaro confirmou, nesta quinta-feira, 4, que o governo federal irá comprar as vacinas desenvolvidas pela Pfizer contra a Covid-19. Em uma conversa com apoiadores, no aeroporto de Uberlândia, em Minas Gerais, o chefe do Executivo afirmou que “milhões” de doses chegarão no mês que vem, sem precisar a quantia exata. Ainda segundo Bolsonaro, a aquisição só foi possível porque o Congresso aprovou o projeto de lei que autoriza União, governos estaduais e municipais a assumirem a responsabilidade por possíveis efeitos adversos dos imunizantes. “Por que o Pazuello assinou ontem contrato com a Pfizer? A Pfizer é clara, está lá no contrato: não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral”, disse. “Então, já que o Congresso falou que pode comprar essa vacina, o Pazuello ontem assinou o contrato. Vamos comprar.  No mês que vem, não sei a quantidade, mas vai chegar já alguns milhões no Brasil”, acrescentou.

Como a Jovem Pan mostrou, na reunião com representantes da Pfizer e da Janssen, na tarde desta quarta-feira, 3, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pediu a exclusividade na venda de vacinas para a União. O pedida visa frear as negociações de Estados e municípios com as farmacêuticas – o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), desafeto político do presidente da República, afirmou que pretende comprar 20 milhões de doses da vacina da Pfizer e 20 milhões de doses da russa Sputnik V. Apesar de Bolsonaro ter afirmado que Pazuello assinou o contrato com as farmacêuticas na tarde de ontem, um auxiliar do ministro da Saúde afirmou a reportagem que a expectativa é que o compromisso seja assinado na próxima semana.

No início da tarde desta quinta-feira, em uma agenda no interior do Estado de Goiás, Bolsonaro voltou a criticar a adoção de medidas mais restritivas no combate ao coronavírus – segundo a Fiocruz, 18 Estados e o Distrito Federal estão com a taxa de ocupação de leitos de UTI superior a 80%, o que comprova que o país vive o pior momento da pandemia em mais de um ano. “Nós temos que enfrentar os nossos problemas. Chega de frescura e de ‘mimimi’. Vamos ficar chorando até quando? Onde vai parar o Brasil se nós pararmos?”, disse. “Temos que ter coragem para enfrentar os problemas. Já que me foi castrada a autoridade, repensem a política do fecha tudo. Venham para o meio do povo, conversem com o povo. Vamos combater o vírus, mas não de forma ignorante, burra e suicida. Até quando vamos ficar dentro de casa? Até quando vai se fechar tudo? Ninguém aguenta mais isso. Lamentamos as mortes, repito, mas tem que ter uma solução. Eu fui eleito para comandar o Brasil. Espero que esse poder me seja restabelecido”, continuou. Bolsonaro se referiu à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que deu autonomia competente de Estados e municípios para a adoção de medidas de combate à pandemia do novo coronavírus.

Bolsonaro encerrou seu discurso questionando “essa frescura de fechar o comércio” e dizendo que o país deve “enfrentar o problema de peito aberto”. “Lamento as mortes, antes que digam que ignoro mortes para defender a economia. Mas, se destruirmos a economia, pode esquecer um montão de coisa. Vamos ser como países que eram colônia no passado. Vamos de peito aberto enfrentar o problema. A grande maioria tem que trabalhar. Quando se fala sobre uma atividade essencial, é toda aquela necessária para o chefe de família levar o pão pra dentro de casa”, acrescentou. Nesta quarta-feira, 3, o Brasil bateu um novo recorde no número de óbitos – nas últimas 24 horas, foram registradas 1.910 mortes causadas pelo novo coronavírus, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS).