Bolsonaro diz que parlamentares votaram contra voto impresso por ‘medo de retaliação’

Presidente voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas e disse que o resultado das eleições de 2022 pode não ser confiável

  • Por Jovem Pan
  • 11/08/2021 10h51 - Atualizado em 11/08/2021 17h22
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDOJair Bolsonaro se disse 'orgulhoso' da Câmara dos Deputados pelos 229 votos a favor do voto impresso

Um dia após a Câmara dos Deputados rejeitar a proposta de voto impresso, o presidente Jair Bolsonaro voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas. Na noite desta terça-feira, 10, a proposta, que já havia sido derrotada na comissão especial que analisou o tema, foi derrubada pelos parlamentares. O texto contou com o apoio de 229 deputados, mas, por se tratar de uma emenda à Constituição, eram necessários, no mínimo, 308 votos, em dois turnos. Para Bolsonaro, a votação, que teve 218 parlamentares contra, mostra que metade da Casa não acredita na lisura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Números redondos: 450 deputados votaram ontem. Foi dividido, 229 [a favor], 218 [contra], dividido. É sinal que metade não acredita 100% na lisura dos trabalhos do TSE. Não acreditam que o resultado ali no final seja confiável”, disse Bolsonaro em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

“Dessa outra metade que votou contra, você tira PT, PCdoB, PSOL… para eles é melhor voto eletrônico. Agora desses outros que votaram contra,  muita gente votou preocupado. Estão com problemas e decidiram votar com o ministro presente do TSE”, argumentou o presidente em referência ao presidente do Tribunal, Luís Roberto Barroso. Em seguida, Bolsonaro afirmou que os parlamentares que se abstiveram o fizeram por medo de uma retaliação. “Hoje em dia sinalizamos uma eleição… não é que está dividida, é uma eleição onde não vai se confiar no resultado das apurações.” O chefe do Executivo ainda disse que a “maioria da população Brasileira” defende o voto impresso, mas confessou, mais uma vez, não ter provas sobre a possível fraude nas eleições de 2018.