Câmara de SP analisará pedido de CPI para investigar violência contra transexuais na capital

Abertura da CPI pode ser votada ainda nesta terça-feira, 23; entre as justificativas para abertura da comissão está a morte de uma mulher trans em uma clínica da capital

  • Por Jovem Pan
  • 23/02/2021 15h48 - Atualizado em 23/02/2021 18h30
ALLISON SALES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 10/09/2020Câmara Municipal de São Paulo deve aprovar pedido de CPI

A vereadora Erika Hilton (PSOL-SP) entrou na última semana com um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar violência contra pessoas transexuais e travestis na cidade de São Paulo. O pedido, que pode ser aprovado ainda nesta terça-feira, 23, tem como uma das justificativas a morte de Lorena Muniz, mulher trans que viajou da cidade de Recife para São Paulo para colocar próteses mamárias e veio a óbito após ser deixada em uma sala de cirurgia da capital durante um incêndio. No documento, a vereadora falou sobre a longa fila de espera para realização de cirurgias pelo Sistema Único de Saúde e citou dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), que mostram o Brasil na liderança de países que mais matam travestis e transexuais do mundo, tendo o estado de São Paulo no topo da lista, com 51 mortes.

“Diante do exposto, conto com o apoio das e dos nobres vereadores desta Casa Legislativa para aprovação da presente Comissão Parlamentar de Inquérito, com o
intuito de investigar as diversas violências direcionadas às pessoas trans e travestis na cidade de São Paulo”, afirma trecho do documento. A submissão do pedido da vereadora foi feitasemanas após ela registrar um boletim de ocorrência narrando uma ameaça e tentativa de invasão do gabinete dela dentro da Câmara Municipal. A assessoria da parlamentar lembrou que a CPI foca em pessoas trans e também inclui as ameaças contra as transexuais eleitas como vereadoras na casa. Além do caso registrado por Erika Hilton, outra ocorrência de ameaça foi registrada pela co-vereadora Carolina Iara, também do PSOL, que teve a casa alvejada por tiros poucas semanas após assumir o cargo no mandato coletivo Bancada Feminista.