‘Funk do 01’, dancinha e ‘todes’: Flávio tenta suavizar imagem e conquistar jovens
Senador desagradou parte da direita ao usar vocabulário com gênero neutro, mas avaliação é que esses votos já estão consolidados
Um dos focos da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem sido tentar suavizar a imagem do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para apelar aos eleitores indecisos e de centro. A ideia é que esse público seria essencial para tirar a diferença de 2,1 milhões votos que deu a vitória a Lula (PT) na última eleição.
Para isso, Flávio tem tentando se descolar de duas imagens: a de sisudo dele próprio e também e de ultraconservador, que é compartilhada por toda a família Bolsonaro.
Mais pragmático que os irmãos, Flávio chegou ao Congresso em 2019 e tem bom diálogo com colegas do centro e até mesmo da esquerda. No entanto, durante o governo do pai, endureceu o discurso e surfou na onda bolsonarista. Agora, tenta fazer o caminho oposto. Considerado também, especialmente nos ciclos de direita, o menos carismático do clã, o senador também se inspira no pai para passar uma imagem de espontaneidade, mas sem a intransigência associada ao capitão. No entorno, o projeto é chamado de “bolsonarismo light”.
Para atingir o objetivo, Flávio adotou algumas estratégias que causaram polêmica: nos últimos eventos de campanha, o pré-candidato foi filmado pulando e dançando entusiasmadamente. A música? O “Funk do 01”. O ritmo é abertamente antagonizado pela direita. Após a repercussão negativa, Flávio vai abandonar o jingle.
Em fevereiro, o pré-candidato também foi alvo de críticas da própria base de eleitores ou usar linguagem neutra em uma publicação nas redes sociais. “Tá todo mundo querendo vencer a discussão. Mas o que precisamos é vencer a eleição!. Gostaria de contar com apoio de todas, todos, todes, todys e todoXs.”, escreveu. A postagem gerou revolta nos setores mais conservadores, e barulhentos, da base bolsonarista.
Apesar de ter evitado o uso de linguagem neutra e da decisão de abandonar o funk, o entendimento do entorno de Flávio é que vale a pena desagradar parte da direita para ir atrás de outros públicos: para eles, os votos dos ultraconservadores e bolsonaristas já estão garantidos, independentemente de posicionamentos de Flávio.
Dentro dos indecisos, um público em especial é bastante cobiçado pelo pré-candidato do PL: os jovens. A demografia se tornou uma dor de cabeça para Lula e, em algumas pesquisas, mostrou uma resistência ao presidente até mesmo maior que a dos evangélicos.
Mais desiludida e mais conservadora, a atual geração de jovens já nasceu com PT consolidado entre os maiores do país. Também cresceu vendo o partido no poder. Por isso, não enxerga a sigla como uma forma de mudança. A forma de o partido se comunicar, mais analógica, também é vista como um entrave para penetrar nas gerações Z e Alpha. Mais à vontade na internet, a direita enxerga potencial para conquistar esses jovens aproveitando o momento de instabilidade econômica e desconfiança.
Tanto Lula quanto Flávio têm outros adversários poderosos: os votos brancos, nulos e abstenções. Foram 5,7 milhões entre bancos e nulos, além de 32,2 milhões de eleitores que não foram votar.
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