Felipe Cançado Vorcaro, primo do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, também foi alvo da operação e foi preso na manhã de quinta.
O parente de Vorcaro é descrito pela PF como integrante do núcleo financeiro-operacional do grupo investigado. Segundo o documento, ele atuaria como operador financeiro de Vorcaro, responsável pela execução material das movimentações financeiras e societárias.
Em nota, a defesa de Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade em sua atuação parlamentar e afirmou que ele não teve participação em atividades ilícitas ou nos fatos investigados. Os advogados também disseram que o senador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e criticaram as medidas da operação, classificando-as como graves e baseadas apenas em troca de mensagens de terceiros.
Pagamento de R$ 500 mil por mês
A decisão da PF apontou que Vorcaro realizava pagamentos mensais de R$ 500 mil a Ciro Nogueira. Segundo o documento, os repasses iniciaram no valor de R$ 300 mil e posteriormente passaram para R$ 500 mil. As transferências financeiras ocorriam por meio de uma estrutura que envolvia empresas ligadas à família de Vorcaro e firmas administradas por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador.
A Polícia Federal afirmou que o objetivo dos pagamentos era garantir a atuação de Ciro Nogueira em pautas do Poder Legislativo para beneficiar os interesses do Banco Master. O documento descreve que o senador apresentou a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, que propôs o aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Os investigadores afirmam que o texto da emenda foi redigido pela assessoria do próprio banco e entregue impresso na residência de Ciro.
A representação policial também citou a aquisição de uma participação societária por uma das empresas do irmão do parlamentar. A parcela da companhia foi comprada por R$ 1 milhão, mas a Polícia Federal indica que o valor da fatia na época era de aproximadamente R$ 13 milhões. O inquérito cita, além das transações, registros de pagamentos de despesas pessoais, custeio de viagens ao exterior e a disponibilização de um imóvel de Vorcaro para o senador.
Irmão de Ciro também foi alvo
Outros alvos da operação foram Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira, Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho e as empresas Green Investimentos e Green Energia Fundo de Investimentos.
Ao todo, policiais federais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e executadas nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
A decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões. A fase da operação foi autorizada pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça.
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