Lula critica passividade da ONU e alerta para risco de ‘neocolonização’: ‘Extremamente preocupado’

Durante discurso no Fórum Celac-África, presidente brasileiro questinou se as ações dos Estados Unidos em Cuba e Venezuela ‘são democráticas’

  • Por Jovem Pan
  • 21/03/2026 15h37
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Ricardo Stuckert / PR lula forum celac-africa Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião de Chefes de Estado CELAC-África, no Centro de

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse neste sábado (21) estar “indignado com a passividade dos membros do Conselho de Segurança” da Organizações das Nações (ONU) por não serem capazes de acabar com as guerras.

“O que estamos assistindo no mundo da falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz“, disse o presidente brasileiro. “São eles que estão fazendo as guerras! E quando é que vamos tomar atitudes para não permitir que países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis?”, questionou.

A fala foi dada no durante o discurso no Fórum Celac-África neste sábado, em Bogotá. “Estou indignado com a passividade dos membros de segurança que não foram capazes de resolver o problema na Faixa de Gaza, no Iraque, na Líbia, na Ucrânia, no Irã. Ou seja, tudo se resolve por guerra? Quem tem mais canhão se acha dono do mundo?”

O presidente brasileiro defendeu os países latino-americanos e africanos contra as grandes potências mundiais. Eu não poderia ter faltado a essa reunião. Cheguei aqui às 2h para essa reunião. É preciso que a gente levante a cabeça, não é possível alguém achar que é dono dos outros países”, disse Lula, que viajou para Colômbia no final da noite de sexta-feira (20). “O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático? Em que artigo da carta da ONU está dito que um presidente de um país pode invadir o outro? Nem da Bíblia”, falou o presidente.

As declarações de Lula se referem a captura de Nicólas Maduro pelos Estados Unidos e as ameaças do presidente Donald Trump à Cuba, que já disse que vai ter a honra de tomar a ilha. “Acredito sinceramente que terei a honra de tomar o controle de Cuba, de alguma forma”, respondeu ele no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, após ser questionado sobre uma ação militar contra o governo em Havana. “Quero dizer libertá-la, ou tomá-la. Acho que posso fazer o que quiser, se quer que eu diga a verdade. É uma nação muito debilitada neste momento”, considerou. “Seria uma grande honra”, explicou.

O mandatário brasileiro alertou para a exploração e minerais críticos no mundo e a importância de os países em desenvolvimento usarem suas reservas minerais para o seu desenvolvimento econômico, destacando que depois que as grandes potências levarem tudo o que os países em desenvolvimento tinham “agora eles querem ser donos dos minerais críticos e terras raras que temos”.

“É a chance da Bolívia, da África, da América Latina não aceitar ser apenas exportador (bate na mesa) de minerais para eles. Quem quiser, se instale no País, para que a gente tenha a chance de desenvolver nossos países”, afirmou o Lula.

O presidente disse, ainda, estar “extremamente preocupado com o que está acontecendo no mundo de hoje” e que esta é a “maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial”. Afirmou que “as guerras na Ucrânia, em Gaza, no Irã e em tantos outros conflitos nos afastam do caminho do desenvolvimento e geram efeitos econômicos, sociais e políticos no mundo todo” e “aumentam o preço da energia e dos alimentos”.

Segundo o presidente brasileiro, a “União Africana é fonte de inspiração para a integração na nossa região e demonstra que é possível apostar na institucionalidade regional mesmo diante da adversidade de projetos políticos nacionais”.

“Apesar de ter implementado diversas políticas públicas de igualdade racial, como as leis de cotas, o Brasil ainda está longe de pagar sua dívida com a áfrica por 350 anos de escravidão. Enfrentar unidos a herança colonial é o melhor tributo que podemos prestar à nossa história compartilhada”, afirmou Lula.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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