Mendonça diz que bom juiz não ‘é estrela’, mas quem assume responsabilidades
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que um “bom juiz não é estrela”, mas alguém que cumpre o dever com responsabilidade. Durante palestra na Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) nesta sexta-feira (20), o magistrado disse entender as limitações dos juízes, mas pediu julgamentos com consciência. “Como eu sou cristão, peço que julguem da forma certa, reconhecendo que não somos perfeitos”, afirmou.
Mendonça também afirmou que eventuais erros devem ser reconhecidos e corrigidos. “Não tenha medo de tomar decisões. Se estiver errado, peça desculpas e corrija a rota, mas não deixe de decidir”, disse o ministro.
“Coragem é a capacidade de, no meio da adversidade, ter tranquilidade para decidir. Não é falar alto, ser arrogante ou subir o tom. Coragem não é irracionalidade, é tomar decisões de forma racional, justificada e motivada”, afirmou.
Mendonça é o relator do processo no STF sobre o Banco Master, que julga as irregularidades e fraudes financeiras da instituição. O banqueiro Daniel Vorcaro está preso por ordem do ministro desde 4 de março. Na última sexta-feira (13), a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a decisão.
Na quarta-feira (18), Mendonça se encontrou com o advogado José Luís de Oliveira Lima, que atua na defesa de Vorcaro. Os dois conversaram sobre o acordo de delação premiada que o banqueiro pretende firmar. O pacto permite redução na pena do investigado em eventual condenação. Em troca, ele precisa revelar detalhes sobre o esquema fraudulento.
Mendonça assumiu a condução das investigações do Master após o antigo relator, o ministro Dias Toffoli, renunciar ao caso. Toffoli deixou o posto quando foi revelado pela Polícia Federal ligações do magistrado e sua família com os negócios de Daniel Vorcaro.
A investigação no STF apura a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas de crédito ao BRB e uma estrutura de ativos inflados que teria elevado artificialmente o patrimônio do Master. Entre os investigados estão diretores do Master e do BRB, além de empresários e ex-executivos ligados às instituições financeiras.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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