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Política

Senado aprova criação de 18 novas vagas na Câmara, mas veta aumento de gastos

Texto retorna à Câmara dos Deputados, que tem até 30 de junho para aprovar proposta antes de decisão do STF

Felipe Cerqueira

Senadores se cumprimentam após votação do projeto que número de cadeiras na Câmara dos Deputados
54614481165_126cbb8cf7_k Andressa Anholete/Agência Senado

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (25), o projeto de lei que amplia o número de deputados federais de 513 para 531 cadeiras a partir das eleições de 2026, com validade para a legislatura de 2027. O texto, no entanto, sofreu alteração importante: uma emenda de Alessandro Vieira (MDB-SE) foi incorporada ao relatório de Marcelo Castro (MDB-PI), proibindo qualquer aumento de despesas decorrente da ampliação do número de parlamentares. Com 41 votos a favor e 33 contrários, a aprovação foi apertada. Agora, a proposta volta à Câmara dos Deputados, onde precisa ser deliberada até o dia 30 de junho, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Caso os deputados não votem até essa data, a responsabilidade sobre a decisão final cairá nas mãos da Corte.

 A emenda aprovada no Senado veta o uso de recursos públicos para custear as novas cadeiras, incluindo remanejamento, suplementação, transposição ou transferência orçamentária. Com isso, a Câmara será obrigada a realocar despesas internas para acomodar os novos parlamentares, caso queira manter o acréscimo sem romper com o teto de gastos públicos. O texto original previa um impacto de R$ 64,6 milhões por ano com o aumento de 18 deputados. Na versão aprovada pelo Senado, esse custo não poderá ser repassado ao orçamento geral, o que impõe uma gestão mais austera do Legislativo.

Distribuição das novas cadeiras

O aumento foi motivado pela atualização demográfica do Censo 2022, que mostrou a necessidade de adequação da representação populacional na Câmara. Com isso, os seguintes nove estados devem ser contemplados com novas vagas:

  • Santa Catarina – 4 vagas
  • Pará – 4 vagas
  • Amazonas – 2 vagas
  • Mato Grosso – 2 vagas
  • Rio Grande do Norte – 2 vagas
  • Ceará – 1 vaga
  • Minas Gerais – 1 vaga
  • Paraná – 1 vaga
  • Goiás – 1 vaga

Apesar da previsão de aumento, o relatório da Câmara, apresentado anteriormente pelo deputado Damião Feliciano (União-PB), garantiu que nenhum estado perca cadeiras — mesmo aqueles que tiveram redução populacional segundo o IBGE, como Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Paraíba.

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Pressão do STF

A urgência na tramitação da matéria se deve a uma ação apresentada ao STF pelo estado do Pará, um dos maiores beneficiados pela redistribuição. A Corte estabeleceu o prazo até o final de junho para que o Congresso Nacional defina a nova composição da Câmara, sob pena de o próprio Judiciário intervir no processo. Para que a nova configuração entre em vigor já nas eleições de 2026, o projeto precisa ser aprovado e sancionado até um ano antes do pleito.

 A proposta reacende o debate sobre os limites do crescimento da máquina pública, o respeito ao equilíbrio federativo e a adequação da representação popular no Congresso. Enquanto o Senado freia o aumento de gastos, cabe agora à Câmara decidir se mantém ou não o novo modelo sem onerar os cofres públicos.

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