Procuradora da Lava Jato não teme novos vazamentos: ‘Tentativa de enfraquecer o combate à corrupção’
A procuradora Thaméa Danelon, que coordenou diversas fases da Lava Jato em São Paulo, acredita que as mensagens divulgadas entre o ministro Sergio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol sejam uma cortina de fumaça para atrapalhar o andamento da operação e não teme a revelação de novas informações.
“Nesses cinco anos de Lava Jato, a operação alcançou pessoas que sempre estavam a parte da punibilidade, pessoas que dificilmente eram presas e condenadas. Não estou dizendo que foram essas pessoas que praticaram o crime cibernético, mas elas estão usando as conversas divulgadas, que não têm nenhum conteúdo ilícito, para obstruir o andamento das investigações e tentar afastar os procuradores do caso”, afirmou Thaméa ao Jornal da Manhã nesta terça-feira (11).
“Ainda que sejam divulgadas outras conversas, serão nesse mesmo tom, não há nada de ilícito. Conheço profundamente os meus colegas de Curitiba, todos são profissionais neutros, inclusive o ministro Sergio Moro. O que estão fazendo é uma tentativa para enfraquecer o combate à corrupção e fragilizar os procuradores.”
A procuradora reforça que não há nada de ilícito nas conversas reveladas ao público e rechaça a acusação de conluio para acusar investigados na Lava Jato.
“Foi um crime praticado [contra] diversos procuradores e inclusive eu mesma sofri esse ataque cibernético, isso foi muito grave e deve ser investigado. E evidentemente essas conversas não podem de forma alguma serem utilizados porque foram obtidas ilicitamente. Mas além disso, o conteúdo das conversas não tem qualquer valor probatório, nada ilícito que possa gerar punição ainda que administrativa.”
“A impressão que dá é que os condenados da Lava Jato são pessoas que nunca praticaram nenhum crime e que teria havido um conluio, forjamento de provas, essa narrativa é extremamente frágil”, afirmou Thaméa.
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