Procuradores reforçam preocupação e Dodge fala em ‘analisar os impactos’ da liminar
Forças-tarefas da Operação Lava Jato e da Greenfield pediram que a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, seja revista com “urgência” pelo plenário da Corte.
Na terça-feira (16), Toffoli suspendeu todos os processos em que houve compartilhamento de dados de órgãos de controle sem prévia autorização judicial.
O ministro atendeu a um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e paralisou uma investigação do Ministério Público contra o filho do presidente Jair Bolsonaro.
Em uma nota pública, os procuradores da República afirmaram que têm “grande preocupação” em relação à decisão monocrática emitida por Dias Toffoli e que uma avaliação dos demais ministros é importante para conferir “segurança jurídica” para o desenvolvimento das investigações e processos que estão suspensos.
Decisão impacta outros casos
Segundo as forças-tarefas, a interpretação do ministro contraria recomendações internacionais de conferir maior amplitude à ação das unidades de inteligência financeira, como o Coaf.
A nota destaca que a medida impactará muitos casos que apuram corrupção e lavagem de dinheiro nas grandes investigações e no país, criando risco à segurança jurídica. Os procuradores também disseram temer a prescrição de crimes que estavam sendo apurados antes da suspensão das investigações.
Em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, o procurador-chefe do Ministério Público Federal em São Paulo,Thiago Lacerda Nobre, disse que a decisão afeta a Lava Jato.
“A gente não consegue entender ainda o tamanho disso tudo, o efeito que isso vai gerar. Certamente vai atingir o coração da Lava Jato e investigações não só do MPF e, sobretudo, do combate ao crime organizado.”
ANPR e Dodge
A Associação Nacional dos Procuradores da República também recebeu com preocupação a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal.
Em nota, a ANPR declarou que a medida “prejudicará, sobremaneira, a investigação e a punição de delitos graves, como o narcotráfico, organizações criminosas, financiamento do terrorismo e crimes transfronteiriços”.
Segundo a entidade, “condicionar a instauração de investigações criminais à prévia autorização judicial subverte o ordenamento jurídico nacional e compromete a imparcialidade dos magistrados.”
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também emitiu nota, afirmando que “vê com preocupação a decisão.” Ela disse que a PGR já determinou que a equipe do órgão “analise os impactos e a extensão da medida liminar para definir providências no sentido de se evitar qualquer ameaça a investigações em curso.”
*Com informações do repórter Afonso Marangoni
Assuntos
continue lendo
Política
Moraes autoriza retomada de visitas a Bolsonaro; Flávio segue suspenso
O prazo para a volta das visitas, após proibição do ministro, acabou no dia 17 de agosto
- Da autocobrança ao esgotamento: como a busca pelo alto desempenho afeta o corpo e a mente Ana Carolina Oliveira · há 6 dias
- A sua marca não é mais sua Gustavo Hansel · há 1 semana
- Tarcísio diz que áudios de Flávio a Vorcaro não impactam relação com senador Jovem Pan · há 2 semanas
- PF divulga parecer sobre acidente Voepass e indicia 16 pessoas Fernando Keller* · há 2 semanas