Reforma tributária tem pontos positivos, mas votar proposta em 15 dias é ‘insanidade’, avalia Marcos Cintra
Os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP) e Reginaldo Lopes (PT) apresentaram o texto preliminar da reforma tributária nesta quinta-feira, 22, ao Congresso Nacional. Relator do grupo de trabalho voltado para o tema na Câmara dos Deputados, Aguinaldo afirmou que foram feitos ajustes na proposta inicial após reunião com governadores e representantes dos 26 estados e do Distrito Federal, realizada mais cedo no mesmo dia. Reginaldo reforçou que o texto é preliminar e poderá ser aprimorado durante as discussões. A apresentação das medidas funciona como texto substitutivo da PEC nº 45/2019. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o economista e professor Marcos Cintra analisou a proposta, dizendo que o texto não é “claro” em itens importantes e que seria “irresponsável” votar um projeto tão complexo em apenas 15 dias. “Em realidade é um tema complexo. É uma proposta que tem pontos positivos e outros extremamente polêmicos. Ela não é clara em muitos dos itens importantes para a definição de um novo modelo tributário. Muita coisa é remetida à lei complementar que será definida posteriormente. É um projeto que já era conhecido, mas os detalhes precisariam ser melhor avaliados. A primeira observação que eu faria é que é absolutamente impossível, diria até irresponsável, se votar um projeto como esse em 15 dias. Ainda mais um projeto que altera estruturalmente o funcionamento da economia brasileira. […] Seria uma insanidade colocar em votação um projeto com tanta complexidade em 15 dias sem que números sejam apresentados. “, afirmou Cintra.
Em seguida, o economista falou sobre os principais problemas do texto, citando o rompimento do pacto federativo como “pecado” da peça. Ele também previu que haverá um “deslocamento entre setores” da carga tributária, desfavorecendo o setor de serviços. “O principal pecado desse projeto na minha avaliação é o rompimento do pacto federativo. Ele agride o pacto ao tirar autonomia de prefeitos, de governadores, de certa forma. Com isso, altera profundamente o equilíbrio entre setores da economia. Ainda que eles digam que a carga tributária ficará estável, haverá um grande deslocamento entre setores de carga tributária, em desfavor do setor de serviços, uma vez que outro setores já tiveram alíquotas beneficiadas, segundo o texto apresentado”, concluiu o professor. Cinta disse ainda que o texto precisa ser modificado e debatido.
[jp-related-posts ids=”1430454,1430451″]
Assuntos
continue lendo
Economia
Em carta aberta, instituições pedem adiamento de novo imposto para 2028
Tributo federal, criado pela Reforma Tributária do Consumo, está previsto para entrar em vigor em janeiro de 2027
- Lula derrota família Bolsonaro pela segunda vez Jovem Pan · há 1 semana
- Quem é Celina Leão, amiga de Michelle Bolsonaro que foi reeleita governadora do DF Jovem Pan · há 2 semanas
- Datafolha: Flávio Bolsonaro é rejeitado por 46%; Lula, por 45% Jovem Pan · há 2 semanas
- ‘Bondades’ anunciadas por Lula em 2026 somam até R$ 178,1 bilhões ao ano Jovem Pan · há 3 semanas