‘Relação entre Brasil e EUA não será feita com ideologia’, diz embaixador sobre Joe Biden
Nesta quarta-feira, 20, Joe Biden irá tomar posse como o novo presidente dos Estados Unidos. Ao contrário das últimas cerimônias, essa será atípica, tanto pela pandemia da Covid-19, quanto pela recusa de Donald Trump em comparecer ao ato. O embaixador brasileiro nos EUA, Nestor Forster Junior, avaliou que, apesar do governo de Jair Bolsonaro ter uma boa relação com o republicano, a ligação entre o Brasil e os EUA não deve mudar com a posse do democrata. “Acho que vamos continuar a ter uma relação sólida com os EUA, com algumas prioridades novas ao lado do governo norte-americano, claro. Porém, a relação do Brasil com os Estados Unidos é mais duradoura do que com qualquer outro país do mundo. (…) A nossa relação não será feita com ideologia, como nunca foi, mas sim pautada na defesa dos interesses nacionais brasileiros. Tenho convicção, por ter vivido outras transições, que temos espaço grande para trabalhar com o novo governo”, afirmou em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan.
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Forster comparou, por exemplo, a relação com outros países, como a China, a qual ele considera “madura e sólida”, porém orientada por interesses comerciais. Já a com os Estados Unidos é de “compartilhamento de valores”. “Isso nos une [Brasil] aos americanos. Nos uniu durante a Segunda Guerra Mundial. Desde então, temos uma cooperação enorme em várias áreas. Muitos elementos de continuidade dão a moldura da nossa relação. A mudança de governo não altera de forma fundamental a importância estratégica que o Brasil tem para os EUA e os EUA para o Brasil, como as duas maiores economias das Américas”, disse. O embaixador ressaltou, ainda, que Biden é visto no Partido Democrata como “moderado politicamente”, e afirmou que o Brasil deveria buscar um “engajamento” sério com o governo dele em relação ao meio ambiente e identificar “uma agenda comum para trabalhar”.
Para Forster, Trump teve um papel “muito importante” nos seus quatro anos de mandato e trouxe “posições novas e corajosas para o debate”. “Ele fez uma presidência com consequências importantes. Por ser de fora do establishment político, trouxe posições novas e corajosas para o debate. Foi defensor de temas muito caros para o Brasil, como a liberdade religiosa. Deixou a sua marca”, avaliou. O embaixador disse, no entanto, que está com uma “agenda muito pró ativa para o futuro”. “Não vai terminar amanhã. Nossa relação tem dois séculos e vamos contribuir para que essa agenda continue”, finalizou.
Assista ao programa na íntegra:
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Eliseu Caetano
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