São Paulo recebe primeira Bienal do Lixo no Parque Villa-Lobos
A primeira Bienal do Lixo está ocorrendo em São Paulo, no Parque Villa-Lobos, até o dia 5 de junho. O Ary Pereira aproveitou a manhã ensolarada para passear no parque com a filha, a neta e o cachorro. Logo na entrada, tendas e esculturas chamaram atenção. “A gente viu logo que entrou. É a primeira vez que a gente vem e visita”, contou o aposentado. Imagina se a cartela do remédio que acabou, a impressora e até a disquete pudessem ter um novo sentido? Os artistas daqui mostram que é possível encontrar beleza na lata de lixo. O tema do evento é “Meu Impacto, Minha Responsabilidade”. Além das obras, atrações interativas, a Bienal do Lixo promove painéis de diálogos sobre temas como consumo consciente, educação ambiental, energias renováveis e gestão de resíduos. A intenção é colaborar com os rumos da política ambiental no país, tendo sempre a arte com um fio condutor.
O diretor de novos negócios da Bienal do Lixo, Mário Farias, ressalta o potencial do país na reciclagem. “Será que o lixo é o final ou o início de tudo? Porque, na verdade, muitas famílias dependem do lixo para sobreviver. Nós temos na história, por exemplo, de pessoas que trabalham com lixo e que tem filho na faculdade. Você tem história de mulheres começando catando latinha e hoje são presidentes de cooperativas, rodando o mundo e dando palestra sobre esse tema”, aponta Farias. MP3, mouse, teclado de computador: o Jota Azevedo tem no plástico a sua fonte de matéria-prima. “Sempre gostei de ficção, filme, animação. Como eu sou ilustrador, eu me inspiro muito. Eu tenho várias coleções e uma delas é tecnologia, que tem tudo a ver com meio ambiente”, conta.
O Caio, de oito anos, foi com a avó, a aniversariante do dia. Eles ficaram sabendo da bienal pela Jovem Pan e, como praticam a reciclagem há muitos anos, quiseram conferir as obras de perto. “Eu achei bem legal, porque reciclar é uma coisa bem legal de fazer pela natureza. A minha obra favorita foi o lagarto de pneu”, afirma o menino. A entrada é gratuita. A exposição e os painéis de construção continuam até o dia 5 de junho, das 10 horas às 18 horas, no Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste de São Paulo. O próprio local era um lixão que recebia restos de lixo do Ceagesp e material dragado do rio Pinheiro. Depois do projeto e da retirada de dois milhões de metros cúbicos de resíduos, a área virou um parque, que recebe centenas de visitantes todos os dias.
*Com informações da repórter Nanny Cox
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