Violência contra mulher salta 44% no País

  • Por Estadão Conteúdo
  • 02/06/2016 09h34
BRA01. RÍO DE JANEIRO (BRASIL), 27/05/2016.- Una mujer participa en una manifestación contra la violación de una adolescente por más de 30 hombres, hoy, viernes 27 de mayo de 2016, frente a la Asamblea Legislativa de Río de Janeiro (Brasil). La violación de una adolescente por más de 30 hombres en una favela de Río de Janeiro ha consternado a Brasil y ha provocado una cadena de condenas en las redes sociales, entre ellas la de Dilma Rousseff, la presidenta suspendida temporalmente del cargo, y del propio Gobierno interino. EFE/Antonio LacerdaMulher participa de manifestação contra violência sexual em frente à Assembleia Legislativa

Os casos de violência contra a mulher cresceram 44,74%, em 2015, se comparado a 2014. Dados da Central de Atendimento à Mulher, o disque 180, indicam que, durante todo o ano passado, foram registradas 76.651 denúncias, ante 52.957 no ano anterior. Isso representa um caso de violência a cada sete minutos. As ocorrências específicas de violência sexual, como estupro, assédio e exploração, saltaram 129%, passando de 1.517 para 3 478 relatos. Em todo o país, foram 9,5 estupros por dia.

A maior parte de todos os casos registrados é relativa à violência física, com 38.451 ocorrências, ou seja, 50,15% do total. Outros casos constantes foram de violência psicológica 23.247 (30,33%) e 5.556 de violência moral (7,25%). Esses são os dados nacionais mais recentes, divulgados em março último.

Michelle Dias, que integra a Comissão de Instrução do Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (CRESS-SP), considera que o aumento nos números é reflexo da força que as mulheres ganham na sociedade. “Com vários mecanismos governamentais e ação feminista nas ruas e em redes sociais, nós nos sentimos mais seguras e fortalecidas para registrar as ocorrências. Porém, ainda há culpabilização da vítima e minimização da agressão durante o relato nas delegacias”.

Michelle critica o funcionamento das Delegacias da Mulher, em São Paulo, por operarem em horário comercial durante a semana, “Grande parte das agressões físicas está ligada ao alcoolismo e uso de drogas e a maior incidência é nos finais de semana”, analisou.

Sobre o anúncio do presidente interino Michel Temer (PMDB) de criar uma área especializada em atendimento às mulheres na Polícia Federal, a assistente ponderou, “claro que é importante, mas é um mecanismo que, talvez, não seja efetivo. Para se combater a violência contra a mulher, a atenção afetiva é fundamental e não um mecanismo emergencial, lançado durante um caso de abrangência nacional (a suspeita de estupro coletivo a uma adolescente de 16 anos, no Rio de Janeiro, na última semana) “

“O papel da mulher na sociedade, hoje, é de luta pelos seus direitos e para desconstruir o machismo. Falta um caminho tenso e extenso, mas é a única saída para mudar realidade do Brasil”, disse.