Vítimas militares colombianas se recusam a ouvir guerrilheiros presos
Cali (Colômbia), 3 ago (EFE).- Os militares colombianos recusaram neste domingo qualquer possibilidade de escutar os guerrilheiros presos que tenham sido vítimas da ação do Estado, como pediram nas últimas horas os negociadores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Cuba.
“Eles estão pedindo o impossível, porque (as Farc) foram os algozes da sociedade colombiana e atacaram diretamente os militares”, disse o major Carlos Guillermo Ospina, vítima e representante de vítimas militares, em entrevista à imprensa.
Ospina participa do Fórum Nacional de Vítimas que acontece de hoje até terça-feira na cidade de Cali para reunir as propostas que os afetados pelo conflito armado na Colômbia mandarão à mesa de negociação em Havana, onde em breve começará a discussão sobre as vítimas.
O encontro, organizado pela ONU e pelo Centro de Pensamento da Universidade Nacional, foram designados pelos negociadores do governo e das Farc em Havana para escolher uma representação adequada das vítimas.
Sobre a proposta colocada hoje pelos negociadores das Farc, que aceitaram escutar as vítimas militares em troca de os guerrilheiros presos também serem ouvidos, Ospina especificou que seria preciso estudar caso a caso, e que de qualquer forma só aceitariam escutar pessoas indiretas.
“É preciso olhar como sofreram dano. Se foi por culpa dos militares e não são eles mesmos os afetados, suas famílias ou seu apoio logístico (milicianos) poderiam ser ouvidos”, disse o major.
Mas ele reconheceu que alguns militares podem ter cometido “erros ou excessos” contra os guerrilheiros, mas que por se tratarem de casos pontuais não são equiparáveis.
Para escutar as Farc, explicou o major, “já deram um espaço na mesa” de Havana, onde a muitos “tiveram as penas de prisão suspensas” para poderem participar. EFE
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