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Alan Ghani

Com projeções macroeconômicas de mal a pior, é difícil acreditar que a economia brasileira crescerá 2% em 2025

No relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, chamou a atenção a piora da projeção de inflação para 2024, mas principalmente para o ano que vem; taxa básica de juros pode chegar a 14,75%

Alan Ghani

Cédulas de 50 e 100 reais organizadas em espiral
Dinheiro/ real, notas, cédulas, 50, 100, real pixabay joelfotos/Pixabay

Como de costume, na segunda-feira, analiso as projeções do mercado financeiro para as principais variáveis econômicas (PIB, inflação, dólar e Selic).
Nesta última edição do relatório Focus, chamou a atenção a piora da projeção de inflação para 2024, mas principalmente para 2025. Para este ano, segundo a média das projeções dos economistas, o IPCA deverá encerrar com alta de 4,91%. Já para 2025, a projeção de inflação passou de 4,60% (semana anterior) para 4,84%.

Evidentemente, a piora nas expectativas inflacionárias trouxe uma elevação na projeção de Selic — remédio para conter as altas nos preços. A taxa básica de juros, hoje em 12,25% a.a, passaria para 14,75%, segundo os analistas do mercado financeiro. Outra variável que apresentou piora foi a taxa de câmbio. Para 2024, o dólar projetado está em R$ 6,00 e, para 2025, em R$ 5,90. Os números ratificam o câmbio de equilíbrio da economia brasileira em torno de R$ 6,00.
Com expectativa de Selic a 14,75%, inflação de quase 5% e dólar próximo de R$ 6,00, está difícil acreditar que a economia brasileira crescerá 2% em 2025, conforme apontado pelo próprio Focus.

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O motivo para o pessimismo é que a Selic mais elevada encarece o crédito, com impactos negativos no consumo das famílias e investimentos das empresas. Já o dólar mais alto torna o processo produtivo mais caro, dado que muitas empresas importam insumos do exterior. Por fim, a inflação em 5% diminui o consumo, ao corroer o poder de compra das pessoas. Se a economia crescer 2%, vai estar de bom tamanho.

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