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Bia Garbato

Carnaval no hospital: como curti o feriado de um jeito diferente

A folia mesmo está no coração da gente, não importa a data ou a avenida

Bia Garbato

Eu estava pronta para escrever uma crônica de Carnaval. Bloquinho, escola de samba, confete, suor, sei lá. Até que a vida, sempre ela, veio com um imprevisto: uma gripe daquelas suínas (hoje, chamamos pelo nome ajeitadinho, Influenza H1N1). Se para qualquer mortal esse vírus já faz um estrago, em uma asmática então…Na sexta-feira, enquanto todo mundo estava contando os minutos pra trocar o ar gelado do escritório por uma gelada, eu estava entrando numa fria: P.S. na véspera do Carnaval. Sinceramente, não sei qual é a lógica. Para mim, a lotação deveria acontecer justamente durante o feriado: pés quebrados, Covid-19, coma de geladinhos alcoólicos… Mas o fato é que, horas antes da folia, tinha bloquinho no pronto socorro, com direito a fila de cadeira de rodas.

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Chegou minha vez. Meu pulmão chiava mais do que meu pai quando tinha que me buscar de madrugada nos bailinhos de Carnaval. E uma pneumonia, só pra confirmar que era caso de internação. Não vou dizer que temporadas no hospital por conta de asma são novidade pra mim. Como a Quarta-Feira de Cinzas, todo ano tem uma. Passei o fim de semana em uma cama hospitalar, subindo e descendo o encosto e os pés, para passar o tempo. Mas, dessa vez, minha passagem no hospital teve um atrativo especial: o “Carnaval Globeleza” cobrindo a farra de norte a sul. Vi Ivete “macetando” (sabe lá o que); o bonecão de Olinda do Rei Charles; lamentei não ter ido nos blocos “Ritallena” ou “Tô de Bowie”; e, inevitavelmente, acabei assistindo o desfile das escolas de samba.

Confesso que o último samba enredo que fez bater meu coração foi “Me leva que eu vou, sonho meu…”. Coisa minha. Mas tive meu truque: coloquei o desfile no mudo e soltei um sambinha do Cartola. Afinal, samba é samba. A verdade é que os desfiles são uma explosão de beleza e emoção tão impressionantes, que é difícil escolher o que comentar. Até me fez esquecer que estava assistindo o espetáculo enquanto fazia inalação. É óbvio que passar o Carnaval fazendo fisio respiratória não é nenhuma maravilha. Assumo que é duro ver tanta euforia por aí enquanto estou de avental. O Instagram não colabora. Só gente abraçada, de sorriso aberto e fantasia curta e colorida. Todo mundo exalando glitter e felicidade. Nessas horas, parece até que ninguém tem problema, só a gente. O que a terapia já me ensinou que não é verdade. A real é que, como a alegria, a tristeza, a saúde e a doença, a folia mesmo, acontece dentro da gente. Levar a vida com leveza faz toda a diferença. Não importa a música, a data ou a avenida.