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David de Tarso

Crime organizado lucra com contrabando de cigarros pelo Nordeste

Em 2024, quase metade dos cigarros vendidos na região eram ilegais; Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte concentram os maiores índices

David de Tarso

A imagem mostra uma grande pilha de sacos empilhados em uma praia, com areia ao redor. Os sacos são de cor clara e estão amarrados com fitas vermelhas. Ao fundo, há uma estrutura de palha que parece ser um quiosque, e algumas árvores verdes. Um veículo vermelho está visível à esquerda da imagem. Parte de carga de cigarros contrabandeados que estava em embarcação que encalhou em Cajueiro da Praia, litoral do Piauí
A imagem mostra uma grande pilha de sacos empilhados em uma praia, com areia ao redor. Os sacos são de cor clara e estão amarrados com fitas vermelhas. Ao fundo, há uma estrutura de palha que parece ser um quiosque, e algumas árvores verdes. Um veículo vermelho está visível à esquerda da imagem. Parte de carga de cigarros contrabandeados que estava em embarcação que encalhou em Cajueiro da Praia, litoral do Piauí Divulgação

O mais recente estudo do Ipec, encomendado pelo Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), revela um dado preocupante: o Nordeste tem a maior participação regional de cigarros ilícitos no país. Por lá, a cada 100 cigarros comercializados, 43 são ilegais – um índice que supera a média nacional (32%) e evidencia o impacto do contrabando e da evasão fiscal na região. Essa dinâmica favorece a atuação do crime organizado, que encontra no contrabando de cigarros uma fonte expressiva de financiamento.

Entre os estados nordestinos, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte têm as maiores participações. No Maranhão, 70% dos cigarros vendidos são de origem ilícita, movimentando R$ 356 milhões para o crime organizado em 2024 e gerando uma evasão de R$ 111 milhões em ICMS. O Piauí e o Rio Grande do Norte aparecem logo atrás, ambos com 68% de participação do ilegal, com destaque para o Piauí, onde o comércio ilícito rendeu R$ 135 milhões no ano. Segundo especialistas, o crescimento do mercado ilegal é resultado de diversos fatores, como a fragilidade das fronteiras, o poder de articulação das facções criminosas e a alta carga tributária sobre o produto legal. No Maranhão, por exemplo, o ICMS sobre o cigarro foi reajustado duas vezes em 2024, aumentando a diferença de preço entre o produto legal e o contrabandeado.

Cenário nacional

O avanço do cigarro ilegal é reflexo da crescente estrutura do contrabando no país, que já domina 32% do mercado de cigarros, de acordo com o Ipec. A pesquisa indica, também, que o crime movimentou 34 bilhões de unidades de cigarro ilegal no Brasil em 2024. O montante é avaliado em R$ 9 bilhões. O levantamento estima que o contrabando de cigarros tenha causado um prejuízo de R$ 7,2 bilhões com evasão fiscal, apenas em 2024. Na soma dos últimos 12 anos essa quantia chega a aproximadamente R$ 105 bilhões.

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Fábricas clandestinas

O mercado ilegal de cigarros é tão vantajoso que as organizações criminosas fabricam, em território nacional, verdadeiras cópias das marcas de cigarro paraguaias mais contrabandeadas. Ano passado, a polícia fechou 9 dessas fábricas. Em geral, a fabricação acontece em grandes galpões, com mão de obra paraguaia e submetida a condições extremamente precárias de trabalho. Os criminosos utilizam maquinário profissional capaz de produzir milhões de maços de cigarros. Nos últimos 13 anos, foram mais de 64 fábricas desativadas em todo o país. Juntas, elas têm um potencial de faturamento anual de R$ 4 bilhões.