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Denise Campos de Toledo

Mercado tem reação pesada à possível candidatura de Flávio Bolsonaro

Mercado foi pego de surpresa, já que contava com Tarcisio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, como o mais provável candidato da direita

Denise Campos de Toledo

Bolsa de Valores de São Paulo B3
Fachada da Bolsa de Valores de São Paulo B3 ROBERTO SUNGI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A Bolsa que ensaiava novo recorde, com o Ibovespa nos 165 mil pontos, virou rapidamente, quando começaram a circular as notícias de que o ex presidente Jair Bolsonaro tinha indicado o nome do filho, senador Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência da República nas eleições de 2026. Da nova marca recorde a bolsa recuou (ainda antes do fechamento) para a faixa dos 158 mil pontos, com queda de cerca de 3,5%. O dólar registrou caminho inverso. Da abertura em baixa, no meio da tarde subia quase 3%, com a cotação do comercial perto dos R$ 5,47.

Inversão total das perspectivas com base em fundamentos técnicos. A expectativa era de mais um dia favorável, diante de dados dos Estados Unidos que reformaram a aposta em um novo corte dos juros, pelo Federal Reserve, na próxima semana. Sendo que indicadores no Brasil, como o PIB mais fraco do terceiro trimestre, abriram a possibilidade de início dos cortes da Selic em janeiro. Embora a previsão dominante seja para a reunião do Copom de março.
Mas o fato é que a política se sobrepôs às avaliações técnicas.

O mercado foi pego de surpresa, já que contava com Tarcisio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, como o mais provável candidato da direita, apesar dele não ter anunciado a intenção de concorrer à presidência, sempre condicionando essa possibilidade à decisão de Bolsonaro. Na visão dos analistas, a candidatura de Flávio Bolsonaro pode implodir possíveis alianças entre os partidos de centro e de direita. Tarcisio de Freitas era a aposta para construir alianças e garantir a vitória da direita em 2026, visto como um candidato com mais chances em eventual disputa contra o presidente Lula, cujo governo o mercado vê com ressalvas, principalmente, pela gestão das finanças públicas.

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A leitura inicial é que, por mais que o ex presidente conte com um palanque de lideranças políticas, inclusive governadores, apoiando o filho, parece difícil que Flávio Bolsonaro consiga reunir uma frente política mais ampla. Na verdade, o mercado está reagindo à perspectiva de Tarcísio de Freitas estar fora da disputa para a presidência no próximo ano. Agora é aguardar os próximos lances da política e o quanto que poderão mudar, ou não, essa primeira percepção do mercado. Mercado que caminhava para um fechamento de semana dos mais positivos.

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