Crianças crescem em um mundo cada vez mais digital, e limitar tempo de tela não é suficiente, diz entidade médica

  • 21/01/2026 07h00
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Reprodução Jovens no computador

Crianças e adolescentes estão crescendo em um ambiente cada vez mais digital, e os impactos desse cenário vão além do simples número de horas diante das telas. Segundo novas orientações da American Academy of Pediatrics, apenas impor limites de tempo de tela já não é suficiente para proteger o sono, o aprendizado e a saúde mental dos jovens.

O documento, divulgado nesta semana e citado pela ABC News, reflete uma mudança importante na abordagem da pediatria sobre o uso de tecnologias digitais. A entidade afirma que o ambiente digital atual é muito diferente daquele de uma década atrás, quando a principal preocupação era o excesso de televisão.

Hoje, crianças convivem com redes sociais, vídeos com reprodução automática, jogos on-line, plataformas educacionais e aplicativos projetados para manter o usuário engajado pelo maior tempo possível.

Impactos no sono, na aprendizagem e na saúde mental

De acordo com a AAP, o uso intenso e mal orientado de dispositivos digitais tem sido associado a problemas de sono, dificuldades de concentração, queda no rendimento escolar e aumento de sintomas ligados à ansiedade e à depressão, especialmente entre crianças mais velhas e adolescentes.

Estudos analisados pela entidade indicam que o uso de telas antes de dormir está relacionado a menor duração e pior qualidade do sono, o que afeta diretamente a memória, o humor e a capacidade de aprendizagem. Especialistas também observam que a exposição constante a notificações e conteúdos rápidos pode prejudicar a atenção sustentada e o desenvolvimento cognitivo.

No campo da saúde mental, pediatras alertam que redes sociais e plataformas digitais podem intensificar comparações sociais, sentimentos de exclusão e estresse emocional, principalmente quando não há acompanhamento adulto.

Por que o tempo de tela deixou de ser o único critério

Segundo a nova orientação, o simples controle de horas não reflete a complexidade do ambiente digital atual. A AAP destaca que há diferenças significativas entre tipos de uso: assistir a um conteúdo educativo com os pais, por exemplo, não tem o mesmo impacto que o consumo passivo e prolongado de vídeos ou o uso excessivo de redes sociais sem supervisão.

Especialistas afirmam que o foco agora deve ser na qualidade do conteúdo, no contexto de uso e no impacto individual em cada criança, e não apenas na contagem de minutos.

A entidade também reconhece que regras rígidas podem gerar conflitos familiares e até dificultar o diálogo entre pais e filhos sobre o mundo digital.

Novas recomendações para famílias

  • Entre as principais orientações da American Academy of Pediatrics estão:
  • Ir além do relógio: observar como a criança se comporta após o uso das telas — se dorme bem, mantém bom desempenho escolar e relações sociais saudáveis.
  • Participação dos pais: acompanhar o que os filhos consomem, usar as mídias junto com eles e conversar sobre conteúdos vistos on-line.
  • Rotinas equilibradas: garantir que o uso de telas não substitua sono adequado, atividade física, leitura e interação social presencial.
  • Planos familiares de mídia: criar regras flexíveis, adaptadas à idade da criança, em vez de limites genéricos iguais para todos.

A AAP reforça que dispositivos não devem ser usados como substitutos de interação humana, especialmente na primeira infância, fase crucial para o desenvolvimento emocional e social.

Responsabilidade também das plataformas

Além do papel das famílias, o relatório aponta que empresas de tecnologia e formuladores de políticas públicas também têm responsabilidade na criação de um ambiente digital mais seguro. A entidade defende mais transparência nos algoritmos, proteção de dados de crianças e adolescentes e ferramentas eficazes de controle parental.

Para a AAP, o desafio não é eliminar a tecnologia da infância, mas integrá-la de forma saudável e consciente.

O consenso entre pediatras é que o mundo digital faz parte da vida das crianças e não pode ser ignorado. No entanto, a nova orientação deixa claro que limitar apenas o tempo de tela já não responde aos desafios atuais. A atenção deve se voltar para o conteúdo, o contexto e os efeitos do uso digital no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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