Governo Trump detalha exigências ao Irã e planos para América Latina

Marco Rubio falou sobre medidas militares, diplomacia e a atuação de aliados estratégicos

  • Por Eliseu Caetano
  • 31/03/2026 08h55
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MANDEL NGAN / AFP Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, gesticula enquanto fala durante uma coletiva de imprensa de fim de ano na Sala de Imprensa do Departamento de Estado, em Washington Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, gesticula enquanto fala durante uma coletiva de imprensa de fim de ano na Sala de Imprensa do Departamento de Estado, em Washington

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, concedeu entrevista à Al Jazeera na qual detalhou a posição dos Estados Unidos sobre a política externa, incluindo Irã, Estreito de Ormuz, Venezuela e Cuba. Rubio falou sobre medidas militares, diplomacia e a atuação de aliados estratégicos, fornecendo detalhes até então não divulgados sobre as prioridades de Washington.

Irã e programa nuclear

Rubio afirmou que o Irã não pode possuir armas nucleares e precisa interromper o desenvolvimento de mísseis capazes de atingir seus vizinhos: “O regime iraniano nunca pode possuir armas nucleares, e eles precisam parar de patrocinar o terrorismo, e precisam parar de fabricar armas que possam ameaçar seus vizinhos. Esses mísseis de curto alcance têm apenas um propósito: atacar a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar, o Kuwait e o Bahrein.”

O secretário ressaltou que o Irã possui milhares desses artefatos e que mantém ambições nucleares que, segundo ele, não serão permitidas: “Acredito que eles precisam tomar medidas demonstráveis no sentido de abandonar qualquer ambição de possuir armas nucleares. Se o que eles desejam é energia nuclear, existem vários países na região que já possuem ou em breve possuirão energia nuclear, e eles vão fazê-lo por meio de um mecanismo bem estabelecido, com o qual todos os demais concordaram: que é permitir combustível importado. O que eles não podem ter é um sistema que lhes permita, de forma rápida, transformar esse material em armas.”

Rubio também afirmou que o Irã mentiu recentemente sobre a capacidade de seus mísseis: “Vimos recentemente um episódio em que eles mentiram: afirmaram não possuir mísseis de longo alcance e, em seguida, dispararam dois que ultrapassaram em muito o alcance que, segundo o próprio ministro das Relações Exteriores deles havia declarado poucos dias antes, eles não teriam capacidade de alcançar.”

Estreito de Ormuz e controle de vias navegáveis

O secretário abordou a importância estratégica do Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo para o mercado global: “Não só a soberania sobre o Estreito de Ormuz não é aceitável para nós, como não será aceitável para o mundo. Ninguém no mundo pode aceitar isso.”

Rubio explicou que o Estreito permanecerá aberto e que uma coalizão internacional poderá assegurar o fluxo de energia: “O Estreito de Ormuz vai estar aberto. Quando esta operação for concluída, ele estará aberto e estará aberto de uma forma ou de outra. Estará aberto porque o Irã concorda em acatar o Direito Internacional e não bloquear essa via navegável comercial, ou uma coalizão de nações de diversas partes do mundo e da própria região, com a participação dos Estados Unidos, assegurará que esteja aberto.”

Ele ainda comentou sobre a ameaça de grupos como os houthis: “A intenção, seja por parte dos houthis, de um lado, ou do Irã, de outro, é fechar essas vias navegáveis internacionais e transformá-las em uma espécie de ‘pedágio’, onde basicamente é preciso pedir a permissão deles para utilizá-las e escoar produtos para dentro e para fora dos mercados. Isso simplesmente não é algo que aceitaremos; e o mundo também não deveria aceitar.”

Política americana na América Latina

Rubio comentou a situação da Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro e detalhou a estratégia de Washington para estabilizar o país: “A Venezuela está agora vendendo seu petróleo no mercado global pelo preço integral, o dinheiro retorna ao povo venezuelano, é investido na compra de produtos e equipamentos médicos, no pagamento de professores, policiais e trabalhadores da área de saneamento e coisas dessa natureza. A segunda fase, que ocorre após a estabilização, é um período de recuperação, no qual se busca restabelecer os elementos do país que lhe permitem prosperar e crescer; isso envolve atrair as empresas de volta, criando o tipo de estabilidade que traz os negócios de volta. Estamos começando a ver isso acontecer. Mas também se vê a vida civil retomando. A mídia independente agora tem permissão para operar. Prisioneiros políticos foram libertados. Partidos políticos estão se formando novamente. As pessoas estão se manifestando e participando da vida pública.”

Sobre Cuba, Rubio afirmou que o país precisa de reformas profundas: “Cuba precisa implementar reformas muito sérias, tanto em seu governo quanto em sua economia. Se estiverem dispostos a fazê-lo, nós os ajudaremos. Nós não tomamos nenhuma medida punitiva contra o regime cubano. A única coisa que mudou para o regime cubano é que eles não recebem mais petróleo venezuelano de graça. Esses apagões que estão ocorrendo e que vi pessoas relatando não têm absolutamente nada a ver conosco.”

Relação com aliados internacionais

Questionado sobre a atuação de aliados da Otan, Rubio destacou dificuldades operacionais: “Tudo isso terá de ser reavaliado. Se a Otan serve apenas para defender a Europa caso seja atacada, mas nega-nos direitos de utilização de bases quando precisamos deles, esse não é um arranjo muito bom.”

Ele ainda frisou que os Estados Unidos trabalham com aliados regionais e globais para manter estabilidade: “O Estreito de Ormuz estará aberto porque o Irã concorda em acatar o Direito Internacional e não bloquear essa via navegável comercial, ou uma coalizão de nações de diversas partes do mundo e da própria região, com a participação dos Estados Unidos, assegurará que esteja aberto.”

A entrevista ofereceu um panorama detalhado da política externa americana sob o ponto de vista do secretário de Estado, revelando a combinação de medidas diplomáticas, militares e estratégicas que Washington adota para lidar com ameaças internacionais e garantir a estabilidade econômica e política, tanto no Oriente Médio quanto na América Latina.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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