Imigrantes ajudam a enfrentar a falta de cuidadores de idosos nos EUA, aponta MIT

Após a pandemia de Covid-19, o setor de cuidados de longo prazo perdeu cerca de 10% da sua força de trabalho — um baque significativo em um sistema que já operava no limite

  • Por Eliseu Caetano
  • 07/05/2026 09h17
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cuidadores de idosos Mais do que preencher vagas, eles estão ajudando a melhorar o atendimento — e até a salvar vidas.

Os Estados Unidos vivem uma crise silenciosa e crescente. O país está envelhecendo em ritmo acelerado, mas não consegue formar profissionais suficientes para cuidar dessa população. E um novo estudo do MIT mostra que os imigrantes estão no centro dessa equação.

Mais do que preencher vagas, eles estão ajudando a melhorar o atendimento — e até a salvar vidas.

Após a pandemia de Covid-19, o setor de cuidados de longo prazo perdeu cerca de 10% da sua força de trabalho — um baque significativo em um sistema que já operava no limite.

Ao mesmo tempo, a população idosa cresce rapidamente, pressionando ainda mais a demanda por cuidadores, enfermeiros e profissionais de apoio. Hoje, cerca de 1 em cada 5 trabalhadores de apoio à saúde nos Estados Unidos é imigrante — aproximadamente 20% da força de trabalho.

Em áreas como cuidados domiciliares, essa dependência é ainda maior.

Para entender o impacto real da imigração nesse setor, os pesquisadores analisaram uma base gigantesca:
• 16 milhões de pacientes
• Mais de 13 mil casas de repouso
• Dados coletados ao longo de quase duas décadas (2000 a 2018)

É uma das maiores análises já feitas sobre o tema nos Estados Unidos.

Mais imigração = Mais cuidado

Os resultados mostram uma relação direta entre imigração e qualidade do atendimento.
Quando há aumento no número de imigrantes em uma região:
• Um crescimento de 10% na população imigrante feminina gera
→ +1,1% no tempo de atendimento de enfermeiros registrados
• E também
→ +0,7% no tempo de cuidado de auxiliares de enfermagem

Pode parecer pouco, mas, em escala nacional, isso representa milhares de horas adicionais de cuidado.
Mais tempo com o paciente significa mais atenção, mais prevenção e menos risco.

E os efeitos aparecem na prática.

O estudo aponta que regiões com mais trabalhadores imigrantes registram:
• Queda de 0,6% nas hospitalizações de curta duração
• Menor uso de contenções físicas
• Menos prescrição de medicamentos psiquiátricos
• Redução de infecções, como infecção urinária

Ou seja: não é só quantidade de profissionais — é qualidade no cuidado.

Menos mortes

Outro dado reforça o impacto.

Pesquisas complementares indicam que:
• A chegada de 1.000 imigrantes em uma região pode evitar cerca de 10 mortes de idosos
• Um aumento de 25% na imigração poderia reduzir em até 5.000 mortes de idosos no país
É uma ligação direta entre imigração e mortalidade.

Eles não ‘tiram empregos’

Um dos pontos mais relevantes do estudo é desmontar um argumento comum.
Os dados mostram que os imigrantes:
• Não substituem trabalhadores americanos
• Aumentam a força de trabalho total
• Não reduzem salários

Isso acontece porque há escassez estrutural,  faltam profissionais, e muitos postos simplesmente não são preenchidos. O problema tende a se intensificar.

Estimativas indicam que os EUA precisarão preencher milhões de vagas no setor de cuidados nas próximas décadas  – só para acompanhar o envelhecimento da população.
Sem imigração, especialistas alertam que o sistema pode entrar em colapso.

Os dados chegam em um momento sensível.

A imigração segue no centro do debate político nos Estados Unidos, com propostas de restrição e controle mais rígido de fronteiras.
Mas o estudo do MIT adiciona uma nova camada à discussão.

Mostra que limitar a entrada de imigrantes não é apenas uma decisão de segurança ou política –  pode ter impacto direto na saúde pública.

No fim, a questão é outa

O estudo muda o foco da conversa. Porque, diante de uma população que envelhece rapidamente, a discussão deixa de ser apenas sobre quem entra no país.

E passa a ser sobre quem vai cuidar. E, hoje, os dados mostram: uma parte essencial dessa resposta fala outro idioma,  mas sustenta um dos sistemas mais críticos dos Estados Unidos.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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