Crise climática: quando a desinformação também vira desastre
Eventos extremos se intensificam no Brasil, enquanto fake news e negacionismo ainda atrapalham a compreensão pública e atrasam respostas à crise climática.
O Brasil instituiu em 16 de março o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. A data foi criada para ampliar o debate e incentivar políticas de enfrentamento.
Hoje, mais do que uma discussão ambiental, o tema é uma questão de gestão de risco, economia e segurança pública.
Nos últimos anos, os sinais ficaram mais claros.
Em 2024, enchentes históricas no Rio Grande do Sul atingiram a maior parte do estado. Estudos da rede científica World Weather Attribution indicaram que as mudanças climáticas tornaram o evento mais provável e mais intenso.
Em 2025, o país enfrentou ondas de calor recordes, secas prolongadas e chuvas extremas. Relatório do Cemaden aponta que eventos climáticos extremos afetaram mais de 330 mil pessoas e causaram cerca de R$ 3,9 bilhões em perdas econômicas.
Esse cenário acompanha uma tendência global.
Segundo o IPCC, o planeta já aqueceu cerca de 1,1°C desde a era pré-industrial, o suficiente para intensificar tempestades, secas e ondas de calor.
Mas existe um obstáculo adicional: a desinformação climática.
Fake news e narrativas negacionistas confundem a população, reduzem a percepção de risco e dificultam a implementação de políticas públicas. O tema já entrou na agenda internacional. Na preparação da COP30, em Belém, organismos internacionais destacaram a necessidade de combater o negacionismo e proteger a
integridade da informação climática.
Porque sem informação confiável, a resposta coletiva fica mais lenta.
A crise climática já influencia infraestrutura urbana, produção agrícola, saúde pública e preços de alimentos. Ignorar esses dados não reduz o problema — apenas aumenta sua complexidade.
Por isso, falar sobre mudança climática não é alarmismo.
É parte da prevenção.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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