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Patrícia Costa

Em 40 anos, Amazônia perde área de floresta equivalente à França

Levantamento do MapBiomas mostra que 52 milhões de hectares desapareceram desde 1985; impactos vão da crise climática à perda de água e biodiversidade

Patricia Costa

Queimadas e desmatamento na Amazônia
queimadas-e-desmatamento-na-amazonia.jpg Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Um novo levantamento do MapBiomas revela a dimensão da devastação amazônica: em quatro décadas, o bioma perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa — uma área equivalente ao território da França. Entre 1985 e 2024, cerca de 13% da floresta foi convertida em áreas de pecuária, agricultura, mineração e outros usos. Os números são alarmantes porque a Amazônia não é apenas uma floresta tropical: é um regulador climático global. Sua capacidade de absorver carbono, gerar chuvas e manter a biodiversidade garante estabilidade para o Brasil e para o planeta. Ao perder vegetação nesse ritmo, a região deixa de atuar como sumidouro de carbono e corre o risco de se transformar em fonte de emissões, acelerando a crise climática. As consequências já são visíveis. Secas mais prolongadas, chuvas irregulares, ondas de calor e perda de produtividade agrícola estão diretamente ligadas à degradação da Amazônia. A destruição também ameaça a segurança hídrica, já que os chamados “rios voadores” dependem da floresta em pé para levar umidade até o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Além do impacto ambiental, a perda de floresta intensifica desigualdades sociais. Povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais sofrem com a pressão sobre seus territórios e com a perda de recursos que sustentam seus modos de vida.

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O estudo é um alerta claro: não há mais espaço para discursos vazios ou promessas adiadas. A Amazônia já perdeu o equivalente a um país europeu em vegetação. Se o Brasil deseja liderar a agenda climática global, precisa transformar o combate ao desmatamento em política de Estado permanente, com fiscalização efetiva, incentivos a modelos sustentáveis e valorização da floresta em pé. A Amazônia é mais que patrimônio natural: é condição de sobrevivência. E os números do MapBiomas mostram que o tempo para reverter esse cenário está se esgotando.

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