Preguinho marcou o primeiro gol brasileiro em Copas, em 1930

João Coelho Neto era filho do escritor Coelho Neto e não jogou apenas futebol

  • Por Thiago Uberreich
  • 19/03/2026 07h00
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Divulgação/Fluminense gg Preguinho marcou o primeiro gol do Brasil em Copas

O Brasil não passou da fase de grupos na primeira Copa do Mundo, em 1930, é verdade, mas um jogador em especial entrou para a história. João Coelho Neto (1905-1979), conhecido como Preguinho, foi o autor do gol nacional na derrota para a Iugoslávia por 2 a 1, em Montevidéu. Era inverno, e o frio não dava trégua. Durante a partida, um integrante da comissão técnica levava bacias com água quente para aquecer as mãos do goleiro Joel, em uma época em que os arqueiros ainda não usavam luvas. 

A seleção, que estreava na competição, no Estádio Parque Central, já perdia por 2 a 0 na etapa inicial, gols de Tirnanic e Bek. O lance histórico para o futebol brasileiro veio aos 17 minutos do segundo tempo. Preguinho, jogador do Fluminense e primeiro capitão nacional em Copas, balançou as redes do goleiro iugoslavo Milovan Jakšić.

Preguinho era o apelido de João Coelho Neto, filho do escritor e poeta Henrique Maximiano Coelho Neto. Além do futebol, o atleta praticava basquete, vôlei, atletismo, natação e hóquei. Ele estreou no time das Laranjeiras em 1925 e defendeu o clube até 1938. No total, marcou 128 gols em 174 jogos, sendo 78 no Estádio das Laranjeiras, um recorde. 

De volta à Copa, depois da estreia com derrota para a Iugoslávia, a seleção venceu a Bolívia por 4 a 0, no Estádio Centenário, mas estava desclassificada e terminou o mundial em sexto lugar. Além de Preguinho, outro jogador de destaque era Fausto, conhecido como “maravilha negra”, que atuou no Vasco, no Flamengo e no Nacional do Uruguai. 

Em entrevista feita pelo jornalista Wanderley Nogueira, da Jovem Pan, em 1978, Araken Patusca, único paulista convocado para a Copa de 1930, afirmou que o Brasil poderia ter ido mais longe na competição: “Houve uma briga entre São Paulo e Rio de Janeiro. Os paulistas se afastaram. Apenas eu fui para o Uruguai, representando os paulistas. Mas o ambiente depois ficou ótimo. Perdemos a Copa por uma simples falta de sorte. Dominamos a Iugoslávia os 90 minutos. O goleiro deles estava com muita sorte.”

No dia seguinte à derrota, o jornal O Globo fez uma dura crítica aos paulistas que se negaram a ceder jogadores para seleção: “Os estrangeiros da Apea [Associação Paulista dos Esportes Atléticos], porém, para quaes os brios nacionaes não têm importância, pois que não sentem e nem vibram com os brasileiros, assim não quiseram [ceder jogadores]. É uma triste página da nossa vida esportiva que se desenrola.”

Apesar do desfecho negativo para a seleção, que ainda vestia uniforme branco, não faltaram histórias. Os jogadores e a comissão técnica viajaram para o Uruguai a bordo do navio Conte Verde, em uma viagem que durou cinco dias.

Eram outros tempos!

 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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