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Política

Advogado de Augusto Heleno é acusado de agredir esposa grávida

Vítima alega que houve uma discussão e que Matheus Mayer Milanez a empurrou e exigiu que ela fosse embora de casa

Fernando Keller

MATHEUS MAYER MILANEZ, advogado de Augusto Heleno
Matheus é candidato a deputado federal pelo Republicanos no Distrito Federal Ton Molina/STF

Matheus Mayer Milanez, advogado do general Augusto Heleno durante o processo em que foi condenado por tentativa de golpe de Estado, foi acusado de agredir a esposa grávida e teve medida protetiva autorizada pela Justiça do Distrito Federal nesta quarta-feira (12).

O advogado também é candidato a deputado federal pelo Republicanos no Distrito Federal. Segundo o processo, apesar dessa ter sido a primeira vez que a ex-companheira registra um boletim de ocorrência contra Matheus, ela já foi agredida outras duas vezes.

A mulher relata que foi agredida pela primeira vez em dezembro do ano passado, tendo uma testemunha para corroborar sua versão, e foi vítima de Matheus novamente em 13 de junho de 2026, tem registros fotográficos da época. Segundo ela, há fotos do segundo episódio.

Já a terceira agressão, que resultou na medida, teria ocorrido na última segunda-feira (10).

Que por fim relata [a vítima] que está com muito receio do que possa acontecer, pois Matheus é uma pessoa influente e usa disto para deixa-la ainda mais vulnerável, demonstra a necessidade de se conceder medidas para a proteção da ofendidaDecisão do TJDFT

Ela alega que houve uma discussão, e que Matheus a empurrou e exigiu que ela fosse embora de casa. A vítima está grávida de 10 semanas. Levando em consideração o tempo de gestação, ela teria sido agredida grávida por duas vezes.

Na decisão, ficou determinado que Matheus não pode chegar a 300 metros da vítima, além de estar proibido de entrar em contato com ela por qualquer meio de comunicação, ou seja, telefone, mensagem telefônica, WhatsApp, Facebook, Skype, Twitter, fax, e-mail, etc.

General Heleno

Matheus Mayer Milanez foi o advogado do ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno, no processo em que ele foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 21 anos de prisão, em regime inicial fechado, pela participação na suposta trama golpista de janeiro de 2023.

A pena foi proposta pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, e acompanhada pelos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. O ministro Luiz Fux não votou. Além da prisão, Heleno terá de pagar 84 dias-multa, sendo o valor de cada dia equivalente a um salário mínimo vigente à época dos fatos, atualizado até a data do pagamento.

O ex-ministro foi condenado por cinco crimes, com as seguintes penas definidas:

  • Organização criminosa armada: 4 anos e 5 meses;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito: 4 anos e 9 meses;
  • Tentativa de golpe de Estado: 5 anos;
  • Dano qualificado por violência e grave ameaça: 2 anos e 1 mês, além de 42 dias-multa;
  • Deterioração de patrimônio tombado: 2 anos e 1 mês, além de 42 dias-multa.

Outro lado

Após a repercussão, o advogado Matheus Mayer Milanez divulgou uma nota em que nega a suposta violência doméstica. “O que foi divulgado não corresponde à realidade dos fatos e é apresentado de forma fragmentada, sem o contexto que lhe dá sentido”, diz um trecho do comunicado. “A proteção conferida pela Lei Maria da Penha não pode, em nenhuma hipótese, se converter em instrumento de negociação. Isso enfraquece justamente as mulheres que dela dependem”, afirma, em outro trecho.

“Desde o dia 3 de agosto, as tratativas entre as partes ocorriam exclusivamente por meio de advogados. No dia 11 de agosto, um dia antes da publicação da matéria, a representante legal da minha ex companheira comunicou à minha advogada que as tentativas de acordo não haviam sido frutíferas e que eu teria até as 10h da manhã do dia 12 para assinar, via GOV.BR, a proposta que enviaram, sob pena de serem tomadas as medidas judiciais cabíveis. Não concordei com os termos apresentados e, em seguida, fui surpreendido pela reportagem”Nota do advogado Matheus Mayer Milanez

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