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Política

Assessor de Braga Netto tinha plano para anular eleição com anotação: ‘Lula não sobe a rampa’

As informações estão no relatório da PF, aberto nesta terça-feira (26), por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Felipe Cerqueira

PF encontrou manuscrito na mesa de assessor de Braga Netto
PF encontrou manuscrito na mesa de assessor de Braga Netto Reprodução/Polícia Federal

A Polícia Federal apontou que o entorno do general Braga Netto, ex-ministro da Defesa do governo de Jair Bolsonaro (PL), preparou o que chamou de “operação 142” para anular a eleição, estender mandatos, trocar todos os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subisse a rampa do Palácio do Planalto para a cerimônia de posse.

A organização do plano foi encontrada em um manuscrito na mesa usada na sede do PL em Brasília pelo coronel Flávio Peregrino, assessor de longa data de Braga Netto e homem da estrita confiança do general. O documento estava em uma pasta denominada “memórias importantes”. As informações estão no relatório da PF, aberto nesta terça-feira (26), por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação aponta que Bolsonaro “planejou, atuou e teve o domínio de forma direta e efetiva” da tentativa de golpe de Estado após ter perdido a eleição de 2022.

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O nome da operação faz alusão ao artigo 142 da Constituição, que trata de emprego das Forças Armadas e passou a ser usado por bolsonaristas com uma interpretação distorcida para fomentar a ruptura institucional. O manuscrito registrou “interrupção do processo de transição”, “anulação das eleições”, “substituição de todo TSE” e “preparação de novas eleições”. Tinha, ainda, a anotação “Lula não sobe a rampa”.

“O documento demonstra que Braga Netto e seu entorno tinha clara intenção golpista, com o objetivo de subverter o Estado Democrático de Direito, utilizando uma interpretação anômala do art. 142 da CF, de forma a tentar legitimar o golpe de Estado”, diz relatório da PF aberto nesta terça-feira (26). Os investigadores apontam que o documento foi produzido entre novembro e dezembro de 2022. Portanto, após a eleição na qual Bolsonaro e Braga Netto, vice na chapa, saíram derrotados. Militares ainda não se pronunciaram sobre o apontamento da PF.

*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Carol Santos

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